Exportações e logística do Brasil já sentem os efeitos indiretos da guerra

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Os primeiros setores brasileiros a sentir os efeitos colaterais da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã são aqueles mais dependentes do Oriente Médio: carne de frango, milho e açúcar. Juntos, esses produtos representaram US$ 7,767 bilhões das exportações do Brasil para 14 países da região, num total de US$ 16,125 bilhões em 2025. O destaque vai para os cortes de frango, especialmente halal, processados segundo as leis islâmicas.

Cerca de 25% da carne de frango exportada pelo Brasil é destinada à região, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Em média, 5 mil toneladas de frango saem diariamente do Brasil, atravessando pontos estratégicos como o Estreito de Ormuz, alvo de ataques recentes do Irã.

Para contornar os riscos no Golfo Pérsico, exportadores brasileiros têm buscado alternativas. Uma delas passa pelo estreito de Bab al-Mandab, ligando a África à Arábia Saudita e Jordânia. Outra rota envolve o Cabo da Boa Esperança e o Porto de Salalah, em Omã, de onde as cargas seguem por caminhões refrigerados.

Entre 2024 e 2025, empresas como JBS e MBRF investiram em unidades de abate halal fora do Brasil, fortalecendo a cadeia produtiva e reduzindo riscos logísticos futuros. As empresas ainda não comentaram o impacto imediato do conflito, mas ele é esperado a depender do tempo de duração do conflito.

Milho e açúcar: dependência relativa

O milho exportado para a região alcançou US$ 2,752 bilhões, representando 33% das vendas globais do grão; apenas o Irã consumiu 23% do total. O açúcar somou US$ 2,257 bilhões, 19% do total exportado pelas usinas brasileiras.

Analistas avaliam que, por ora, o efeito sobre o milho é limitado, devido à entressafra e à possibilidade de realocação para outros mercados. No médio prazo, no entanto, o fornecimento de fertilizantes pode gerar preocupação, já que a região exportou US$ 1,067 bilhão em ureia e US$ 398 milhões em cloretos de potássio para o Brasil em 2025.

Além do comércio direto, o conflito eleva custos de frete, seguro e combustíveis. Dados apontam que o preço médio de um contêiner de 40 pés na rota Ásia-Brasil subiu para US$ 3.100, três vezes a média de fevereiro.

Empresas como a mineradora Vale, que tem unidades em Omã, mantém operações fora do Golfo Pérsico, evitando impactos diretos, mas monitora a situação e suspendeu voos de funcionários para a região.

Entidades do setor já avaliam que o aumento dos custos logísticos também se refletirá no transporte interno, pois todos acabam sentindo os impactos.

Embora ainda não haja rupturas comerciais significativas, a guerra no Oriente Médio revela vulnerabilidades estratégicas do agronegócio brasileiro e da logística internacional. Setores que dependem de insumos e mercados da região já acompanham de perto os desdobramentos geopolíticos e ajustam suas estratégias para mitigar riscos financeiros e operacionais.





Fonte: ICL Notícias

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