
Thadeu Aguiar
A ginástica artística masculina de Santos mostrou sua força, mais uma vez, nesta terça (15), com o título dos Jogos Regionais, que estão sendo realizados em São Bernardo do Campo. Foi praticamente uma disputa interna, com os ginastas da Fundação Pró-Esporte (Fupes) dominando o pódio em todas as categorias, com 7 ouros, 8 pratas e seis bronzes e demonstrando força para brigar pelo bicampeonato dos Jogos Abertos do Interior.
Neste ano, a equipe mesclou jovens e experientes atletas, com dois reforços. O principal nome da modalidade na Cidade, Rodrigo Sampaio, precisou se superar para manter o rendimento dos últimos anos. Ele teve dengue, treinou apenas uma semana e ainda sente sintomas como dores no corpo. Além disso, o vencedor dos Jogos Abertos do Interior, em 2024, com sete medalhas de ouro das sete em disputa, também iniciou como técnico do time feminino de ginástica.
Foram cinco medalhas: ouro por equipes, prata no solo, paralelas e barra fixa e bronze nas argolas e no geral.
“O rendimento poderia ser melhor, esse ano comecei como técnico do feminino e é necessário conciliar as aulas com o treinamento”, disse o ginasta, citando também as dores no pulso, ainda de sintomas da dengue.
Para os Abertos, Rodrigo afirma que intensificará os treinamentos: “quero ir para ganhar tudo”, com a tranquilidade de quem já acumula cerca de 60 medalhas nos Regionais, diferente da jovem equipe feminina, com meninas de 11 a 15 anos. “É uma nova geração, estão evoluindo, mas essa oscilação é normal nessa idade, ficam nervosas, já tive que lidar muito com isso, quando vou abraçá-las, elas estão suando e tremendo”, diz.

SEGUE CAMPEÃO
Quem também está ganhando cada vez mais experiências e medalhas é Gustavo Lobo. Em 2023, ele brilhou nos Jogos da Juventude (sub-19) com seis ouros e uma prata.
Agora, aos 20 anos, nos Regionais, a dificuldade aumentou, mas as medalhas seguem no peito. Ele foi campeão por equipes, na trave e paralelas, além do bronze no solo. “Feliz em contribuir para o título de Santos. Temos uma equipe forte e temos reforços que vão nos ajudar muito com sua experiência, principalmente para os Abertos”, disse o atleta, que teve companhia na equipe do irmão Anthony, de 13 anos.

O ginasta vai seguindo os mesmos passos de um outro Gustavo Lobo, seu tio, que fez parte da melhor geração da história da ginástica santista, base da seleção, tetracampeã brasileira e pentacampeã dos Jogos Abertos do Interior, juntamente com os atuais técnicos Danilo Nogueira e Vitor Ogea.

LEMBRANÇAS DA GERAÇÃO
O sonho de uma nova geração santista vitoriosa é o sonho do técnico Danilo Nogueira. “Fomos a equipe mais forte do Brasil”, disse o ex-ginasta da seleção, com conquistas como as duas medalhas de prata em Jogos Pan-Americanos. Sobre o resultado no masculino, ele afirmou que não poderia ser melhor. “Ganhamos todas as medalhas, colocando jovens para pegar experiência em alguns aparelhos e os veteranos”.
Ele está confiante na nova geração de ginastas da Cidade, mas explica: “É um trabalho a longo prazo, principalmente no feminino, que temos uma equipe que está evoluindo, desde o ano retrasado, e que agora conta também com o Rodrigo como técnico para auxiliar nesse processo”.

RESULTADO EXPRESSIVO
Seu companheiro durante anos na seleção, Vitor Ogea, representando Santos há mais de 30 anos, ficou contente com o resultado. “Esporte é difícil e na ginástica são muitos detalhes, muito treinamento e quando sai um resultado expressivo, a gente se sente realizado, comemora, mas mantém o foco no trabalho”.
Vitor explicou que o time campeão é a equipe base, formada em Santos, com dois reforços. “Essa mescla deu super certo”, afirmou.

APÓS VISITAR FAMILIA, ARGENTINO ESTREIA POR SANTOS
Um dos reforços é o argentino Felipe Becerra, que integra a seleção do seu País, e realizou sua primeira competição no Brasil. Mas não foi sua primeira vinda, já que ele tem família em Santos. “Vim no começo do ano para Santos e como não dá para parar o treinamento, fiz a pré-temporada na Cidade e fui convidado para defender Santos”.
Ele brilhou na competição, com o ouro na equipe, no solo, barra, salto e o bronze no cavalo. “Foi muito legal essa primeira experiência, muito diferente uma equipe torcendo para mim em português”, disse Felipe, afirmando que gostou muito do time santista e vem preparado para os Abertos.

MEDALHAS PARA O RECOMEÇO
Outro reforço que brilhou foi Josué Soares Heliodoro, campeão nas equipes, vice-campeão no individual geral, salto, cavalo, paralela e na barra e bronze nas argolas. As medalhas conquistadas pelo atleta contribuíram com Santos e podem contribuir com a ginástica brasileira. Natural do Rio de Janeiro, Josué Heliodoro faz parte da geração de novos talentos da ginástica inspiradas nas conquistas de Diego Hypólito.
Medalhista das principais competições nacionais, com passagem pela seleção brasileiro e títulos como o ouro nos Jogos Sul-Americanos, ele parou de competir em 2024, após encerrar o vínculo com o clube que defendia em 2023. No ano passado, teve oportunidade em Florianópolis como técnico e onde fez seu treinamento.
“Foi minha primeira participação em Jogos Regionais, estava ansioso, precisava competir, saber meu desempenho. Atualmente, minha rotina de treinamentos não é a mesma quando o foco era a seleção brasileira”, diz Josué, que ainda pretende voltar ao foco total como competidor e aguarda convite de clube. “Fico feliz com o resultado, agora é fortalecer o treinamento para conseguir bons resultados nos Abertos”, afirma Josué, que não vai de Santos para Florianópolis. “Vou passar antes no Rio de Janeiro para ver minha família e mostrar as medalhas para minha mãe que, querendo ou não, desacreditava da volta para as competições”.
A equipe santista ainda conta com Felipe Figueira dos Santos, medalha de ouro nas paralelas, e Matheus Antunes. O time feminino, que acabou em quarto lugar na classificação geral, tem Lavínia Ferreira, Maite Ferreira, ambas com 13 anos, Manuella dos Santos, Maryeva Braga, Sarah Galvão, Yasmin Costa.
Fonte: Prefeitura de Santos


