A concessão do Prêmio Nobel da Paz de 2025 à venezuelana María Corina Machado é um contrassenso que desafia não apenas a lógica, mas também os princípios que deveriam nortear a própria premiação. A paz, por definição, é construída por meios legais, pela luta pacífica, pelo diálogo e pela justiça social. Premiar uma figura associada ao golpismo é, no mínimo, uma distorção histórica.
Machado, líder da oposição venezuelana, não se notabilizou por promover a união nacional ou internacional — como desejava Alfred Nobel. Ao contrário, dedicou o prêmio ao ex-presidente Donald Trump, símbolo de políticas intervencionistas e defensor de ações militares contra o governo de Nicolás Maduro. A homenagem soa como provocação e revela o viés político que há tempos contamina o comitê norueguês.
A própria trajetória de Machado inclui apoio ao chamado “governo interino” de Juan Guaidó, envolvimento em denúncias de corrupção e defesa de sanções internacionais que agravaram a crise humanitária na Venezuela. Sua inelegibilidade por 15 anos, decretada pelo Supremo Tribunal de Justiça venezuelano, não foi por acaso — mas por crimes públicos e oficiais que a grande mídia insiste em omitir.
Premiar alguém que defende a desestabilização institucional, que flerta com a intervenção estrangeira e que se opõe à via democrática é um ato que banaliza o conceito de paz. É como entregar um troféu de sustentabilidade a um desmatador.
O Nobel da Paz deveria ser símbolo de esperança, não de hipocrisia. A indicação de María Corina Machado é lamentável, incoerente e revela o quanto o prêmio se afastou de sua missão original. A paz não se constrói com golpes — e muito menos com aplausos a quem os promove.


