Segundo os dados do Tesouro Nacional sobre a Capacidade de Pagamento (CAPAG), o município de Marília apresenta situação fiscal considerada saudável, estando dentro do limite prudencial de gastos com pessoal. Isso significa que, tecnicamente, a cidade tem margem para investir mais no funcionalismo público — mas não o faz.
DADOS MOSTRAM FÔLEGO, MAS A REALIDADE É DE ESTAGNAÇÃO
A metodologia da CAPAG avalia três indicadores principais:
- Endividamento: Marília está longe de comprometer sua capacidade de contrair novos empréstimos.
- Poupança corrente: Há equilíbrio entre receitas e despesas correntes.
- Índice de liquidez: O município mantém caixa suficiente para honrar seus compromissos.
Ou seja, há espaço fiscal. O município não está no limite máximo de gastos com pessoal, tampouco em situação de alerta. Ainda assim, não concede reajustes dignos aos servidores, que acumulam perdas salariais frente à inflação e à valorização de outras categorias.
SERVIDOR É TRATADO COMO CUSTO, NÃO COMO PILAR
A gestão municipal parece tratar o servidor como um número na planilha, e não como agente essencial da máquina pública. Professores, agentes de saúde, administrativos — todos enfrentam salários defasados, falta de reconhecimento e ausência de valorização profissional.
A desculpa da “responsabilidade fiscal” não se sustenta quando os dados mostram que há margem para investir no funcionalismo. O que falta é prioridade política e respeito institucional.
DISTORÇÃO ENTRE FOLGA FISCAL E REALIDADE SOCIAL
Enquanto Marília ostenta indicadores fiscais positivos, a base da administração segue desmotivada. A cidade não está no teto — está no comodismo. E isso gera um paradoxo cruel: dinheiro há, mas vontade não.


