Guerra Declarada: Acusações de Corrupção e Chantagem Marcam Rompimento entre prefeito e seu partido

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Prefeito de Parauapebas e secretário-geral do PRD trocam ataques públicos; disputa envolve fundo partidário de R$ 1 milhão e controle da poderosa Secretaria de Obras.

PARAUAPEBAS/PA – O que antes era restrito aos bastidores da articulação política transformou-se em um espetáculo de hostilidades públicas nas redes sociais. O prefeito de Parauapebas, Aurélio Goiano, e o secretário-geral nacional do PRD, Kassyo Santos Ramos, protagonizam um confronto que sacode as bases políticas do sudeste paraense. O estopim foi a destituição de Chico das Cortinas (vice-prefeito) da presidência municipal da sigla, sendo substituído por Anderson Moratório, em um movimento de intervenção direta da cúpula nacional.

Acusações de “Pedágio” e Fundo Partidário

O embate ganhou contornos criminais quando Aurélio Goiano gravou um vídeo acusando Kassyo Santos Ramos de ter insinuado interesse pessoal em parte do R$ 1 milhão enviado pelo fundo partidário para sua campanha. Goiano sugere que o dirigente tentou se beneficiar dos recursos que, conforme os registros do DivulgaCand, foram investidos no último pleito municipal. Além disso, o prefeito alegou que o dirigente teria tentado exercer influência indevida sobre a Secretaria de Obras, uma das pastas com maior orçamento e contratos da prefeitura.

A Réplica: Áudios e “Gestão de Contratos”

Kassyo Ramos não recuou e elevou o tom da resposta. Confirmou o alto investimento de R$ 1 milhão na campanha do prefeito, mas negou qualquer irregularidade. Em uma contra-acusação grave, o dirigente afirmou que foi o próprio Aurélio Goiano quem ofereceu a Secretaria de Obras ao partido, mencionando inclusive a influência na gestão de contratos.

“Tenho áudios que reforçam a minha versão”, disparou Kassyo, sugerindo que possui provas de que o prefeito tentou negociar a pasta de forma fisiológica em troca de apoio político.

Isolamento Político e Crise Institucional

A cúpula do PRD afirma que o desgaste é irreversível. Segundo o partido, há uma insatisfação generalizada, inclusive no diretório estadual, com o comportamento de Goiano. O secretário-geral classificou o prefeito como “ingrato”, afirmando que ele dependeu da estrutura partidária para se eleger e agora tenta se isolar para governar sem prestar contas à sigla que o viabilizou.

O episódio marca o fim da aliança e deixa Aurélio Goiano em uma posição delicada: sem o apoio da legenda pela qual foi eleito e sob a sombra de denúncias que podem, no limite, desencadear investigações por improbidade administrativa ou crimes eleitorais.


Os Eixos do Conflito

Ponto de CriseVersão do Prefeito (Aurélio)Versão do Partido (PRD)
Fundo PartidárioAcusa dirigente de querer “abocanhar” parte do R$ 1 milhão.Afirma que o recurso foi investido e a prestação é pública.
Secretaria de ObrasDiz que Kassyo queria influenciar a pasta e contratos.Afirma que o prefeito ofereceu a pasta em troca de apoio.
Comando MunicipalVê a entrada de Anderson Moratório como perseguição.Vê a mudança como necessária pela quebra de confiança.
ProvasVídeos em redes sociais e denúncias verbais.Afirma possuir áudios comprometedores do prefeito.

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