Fui aluno do Baltazar, nos anos de 1980, 81 e 82, escola que me deu oportunidade na adolescência de me tormar um cidadão condizente com as aspirações de uma sociedade livre e democrática, onde aprendi com grandes mestres, a valorizar o ensino público e a respeita-los.
Fui também professor em escola estadual e sei bem o que é lutar todos os dias para sobreviver e escalar a cada dia uma montanha de dificuldades. Tenho professores na minha família que honraram e honram a profissão.
Professores são verdadeiros heróis da pátria, merecem toda consideração deste país ou deveriam merecer, reivindicam a todo tempo melhores condições de ensino, mais dignidade na profissão e valorização salarial.
A carreira docente é a que mais deveria receber incentivos, porém, a realidade não é essa.
Professores fazem jornadas de trabalho duplas, quadruplas, quintuplas para dar conta de suas vidas, das vidas dos seus alunos e de seus lares, muitas vezes não aguentando a pressão social e não raramente, tem desconforto com problemas sérios de saúde.
Neste país em que bandidos de colarinho branco são valorizados mais do que os professores, vale a pena neste momento de intensa dor refletir sobre que Educação queremos e mais do que isso, o que desejamos para nossos queridos professores, ou o que pensam os políticos da vida que não lutam pela educação como deveriam lutar.
Mas, se hoje, se aluno fosse do Baltazar, como há 45 anos, presente na escola, reuniria a todos e diria em homenagem a professora Elaine:
“Reunimo-nos hoje não apenas para lamentar uma ausência, mas para celebrar uma presença que se tornou eterna em nossos corredores. A vida de uma educadora não se mede em anos, mas nas sementes de conhecimento e humanidade que ela plantou em cada um de nós.”
O Brilho que não se Apaga
A Professora Elaine não foi apenas uma docente; ela foi um norte. Em um mundo que muitas vezes prioriza apenas o conteúdo, ela priorizou o estudante. Sua força não residia apenas no domínio da disciplina, mas na capacidade hercúlea de inspirar, mesmo quando suas próprias dificuldades tentavam lhe impor silêncio.
Ela nos ensinou que a educação é um ato de resistência e de amor. Cada aula dada pela Professora Elaine era um convite à reflexão e uma prova de que a escola é, acima de tudo, um lugar de gente. Sua trajetória na Escola Estadual Prof. Baltazar de Godoy Moreira é um capítulo de dedicação que agora se torna parte do DNA desta instituição.
O Legado nas Entrelinhas
Dizem que os professores nunca morrem; eles se multiplicam. Elaine vive agora em cada aluno que aprendeu o valor do compromisso, em cada colega que se sentiu acolhido por sua palavra e em cada cidadão que ela ajudou a formar com sua ética inabalável.
Palavras de Despedida
“Elaine, seu nome está gravado não apenas nos registros desta escola, mas na memória viva de Marília. Obrigado por nos mostrar que, com força e humanidade, é possível transformar o mundo através de uma sala de aula. Descanse em paz, com a certeza do dever cumprido.”


