O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado nesta quinta-feira (19) pelo Banco Central, registrou expansão de 2,5% em 2025 na comparação com o ano anterior. O resultado confirma a perda de fôlego da economia brasileira em relação a 2024, quando o indicador havia avançado 3,7%.
Trata-se também do desempenho mais fraco desde 2020, período marcado pelos efeitos mais severos da pandemia de Covid-19 sobre a atividade econômica. A comparação reforça o cenário de desaceleração já esperado por analistas e pela própria autoridade monetária.
O IBC-Br é considerado uma espécie de termômetro do Produto Interno Bruto (PIB), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que será divulgado em 3 de março. Em 2024, segundo o instituto, o PIB cresceu 3,4%. Contudo, os indicadores usam metodologias diferentes para calcular a expansão da economia brasileira.
Em dezembro, o IBC-Br caiu 0,2% em dezembro na comparação mensal, com ajuste sazonal. Apesar da queda, o dado veio melhor do que a estimativa mediana, que apontava retração de 0,5%.
Ritmo menor como parte da estratégia
Trocando em miúdos, o resultado mostra que a taxa básica de juros, a Selic, atualmente no patamar de 15% ao ano, contribuiu para a economia perder fôlego, mas não desabou. A taxa está no maior patamar em quase duas décadas. O nível elevado dos juros foi mantido pelo Banco Central como forma de conter pressões inflacionárias.
A expectativa é de que possa ocorrer um corte na Selic em março, conforme já sinalizado pelo Banco Central. O mercado projeta uma redução inicial de 0,5 ponto percentual, para 14,5% ao ano.
Em comunicações recentes, o BC tem sido explícito ao afirmar que um crescimento mais moderado é parte do esforço para trazer a inflação de volta ao centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%. Segundo a instituição, a desaceleração é um “elemento necessário” para garantir a convergência dos preços.
No comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, realizada em dezembro, o Banco Central destacou que o chamado “hiato do produto” permanece positivo — ou seja, a economia ainda opera acima do seu potencial de crescimento sem pressionar excessivamente a inflação.
O que mede o IBC-Br
Criado em 2010, o IBC-Br funciona como um termômetro da atividade econômica ao reunir dados da agropecuária, da indústria, dos serviços e dos impostos. Por oferecer sinais mais frequentes sobre o desempenho da economia, o índice é amplamente acompanhado por analistas e investidores.
Apesar de ser considerado uma antecipação do PIB, o cálculo do Banco Central difere do método utilizado pelo IBGE. O IBC-Br não incorpora o lado da demanda — como consumo das famílias e investimentos — que faz parte da metodologia oficial do PIB.
Ainda assim, o indicador é uma das principais referências utilizadas pelo Banco Central na definição da taxa básica de juros. Um crescimento mais intenso da atividade, por exemplo, pode gerar maior pressão inflacionária, influenciando decisões sobre o ritmo de cortes ou manutenção dos juros.
Como mostra o IBC-Br, as estimativas para o crescimento da economia em 2025 convergem para um ritmo mais moderado. O Ministério da Fazenda projeta expansão de 2,3% do PIB — mesma previsão divulgada pelo Banco Central.
Fonte: ICL Notícias


