A liberação da Avenida Luiz Toffoli, após o recapeamento e melhorias que somaram quase R$ 4 milhões em investimentos, representa um marco para a zona Sul de Marília. A obra atende a uma reivindicação antiga de cerca de mil famílias que residem nas chácaras atrás da fábrica da Coca-Cola e, sem dúvida, traz benefícios concretos em mobilidade, segurança e qualidade de vida.
O recapeamento, iluminação moderna e sinalização completa são conquistas que merecem ser enaltecidas. A população, que há décadas aguardava por dignidade no acesso à região, finalmente vê um compromisso histórico ser cumprido.
Entretanto, é impossível ignorar o pano de fundo que acompanha empreendimentos dessa natureza. A mesma avenida que hoje se apresenta como vitória popular também abre caminho para interesses mercantilistas. O outro lado da via será executado pela loteadora Emais Urbanismo, que já projeta loteamentos futuros, com canteiro central, pista de ciclismo e iluminação. Aqui, o capital especulativo imobiliário se revela: obras públicas que, sob o discurso de atender à população, acabam por valorizar terrenos privados e preparar o terreno para empreendimentos voltados ao lucro.
Data venia, trata-se de um modelo recorrente: recursos públicos viabilizam infraestrutura que, em última instância, serve de alavanca para negócios imobiliários. A anuência do poder público e o aporte de dinheiro federal e municipal acabam por legitimar a lógica mercantilista, em que o benefício coletivo é, muitas vezes, secundário diante da valorização de áreas destinadas ao mercado.
Assim, a Avenida Luiz Toffoli simboliza tanto a conquista de famílias que lutaram por décadas quanto a contradição de políticas urbanas que se entrelaçam com o capital especulativo. É preciso celebrar o acesso e a dignidade conquistada, mas também denunciar o modelo que transforma obras públicas em trampolim para interesses privados.
Em Marília, a obra é realidade. Mas o debate sobre quem realmente se beneficia dela precisa continuar.


