Marília ostenta um título que não deveria existir: campeã de suicídios em São Paulo — e, se o é no Estado, seguramente o é no Brasil. Ano após ano, repete-se o ritual do Janeiro Branco, com discursos, campanhas e hashtags sobre saúde mental. Mas, na prática, as políticas públicas são inexistentes ou ineficazes.
O paradoxo do orçamento
A Secretaria da Saúde de Marília dispõe de um dos maiores orçamentos do município, projetado para quase meio bilhão de reais em 2026. No entanto, o impacto real na saúde mental da população é mínimo. O dinheiro existe, mas não chega onde deveria: às políticas sanitárias que poderiam salvar vidas.
O esforço invisível dos servidores
Não fosse a dedicação dos CAPS, dos servidores públicos e do voluntariado, os números seriam ainda mais trágicos. São profissionais mal remunerados, sobrecarregados e eles próprios adoecendo diante da falta de qualidade de vida. A engrenagem da saúde mental funciona mais pela resistência desses trabalhadores do que pelo compromisso dos governantes.
A vida farta dos políticos
Enquanto a população enfrenta desemprego, depressão e autoestima em ruínas, os políticos locais vivem em outra galáxia: mesa farta, viagens internacionais, ausência de boletos para pagar. Uma vida de rei sustentada pelo dinheiro público, distante da realidade de quem sofre. O contraste é brutal: milionários no poder, miseráveis na base.
Do discurso à prática: o abismo
O Janeiro Branco deveria ser um mês de reflexão e ação. Em Marília, tornou-se vitrine de discursos vazios. O abismo entre a retórica e a prática é escandaloso. O sofrimento invisível das pessoas continua sem resposta, enquanto a cidade acumula estatísticas vergonhosas.
Alerta aos Políticos: menos redes sociais, mais trabalho
Marília não precisa de mais campanhas emocionais. Precisa de investimento real em saúde mental, valorização dos servidores e políticas que enfrentem as causas estruturais do adoecimento: desemprego, desigualdade, abandono social. Que o Janeiro Branco seja, enfim, um mês de paz mental e olhar humano, e não apenas mais uma peça de marketing político.


