Legenda: audiência pública datada de 2006, realizada na Câmara Municpal, quando se discutiu dentre os itens a serem inseridos no orçamento, a implantação de uma política pública para o desfavelamento, na qual participava como então deputado estadual, o atual prefeito, Vinicius Camarinha. Décadas se passaram e Marília continua virando as costas para as comunidades.
Enquanto condomínios de luxo se multiplicam e empreendimentos milionários desenham uma cidade para poucos, milhares de marilienses seguem esquecidos em barracos improvisados, enfrentando o frio, a fome e a exclusão. A última política pública voltada à desfavelização em Marília remonta aos anos 2000, sob o governo de Mário Bulgareli. Desde então, passaram-se duas décadas — e nada mudou para quem mais precisa.
A cidade partida
Marília se tornou uma cidade partida: de um lado, apartamentos com vista privilegiada e segurança privada; do outro, comunidades abandonadas, onde o poder público só aparece em época de eleição. A desigualdade é institucionalizada. O cidadão pobre não é visto como igual — é tratado como voto, como estatística, como problema.
Luxo para poucos, lama para muitos
A expansão imobiliária de alto padrão contrasta violentamente com a estagnação das políticas habitacionais populares. O governo municipal celebra banquetes com a elite, mas ignora o básico: moradia digna. A cidade que dá apartamentos aos ricos se recusa a dar casas aos favelados. A desfavelização deixou de ser prioridade — virou tabu.
Frio, fome e esquecimento
Enquanto o inverno castiga os barracos, nenhuma ação emergencial é tomada. Enquanto crianças crescem em condições insalubres, nenhuma política de reurbanização é anunciada. A favela não é invisível — é ignorada. E essa omissão é uma escolha política.
Votos sem voz
Os prefeitos que se sucedem em Marília mantêm o mesmo roteiro: pedem votos nas comunidades, mas governam para os condomínios. A desigualdade não é apenas social — é institucional. A ausência de políticas públicas para desfavelização é um retrato da indiferença.
Marília precisa de uma política habitacional que enxergue o favelado como cidadão. Precisa de um governo que construa pontes, não muros. Precisa de dignidade, não de desculpas.


