foto- prefeito Vinicius e vice Rogerinho: Marília “descuidada”, advertem servidores
Em uma cena que beira o surreal, dezenas de cuidadoras que dedicam seu dia a dia ao atendimento de estudantes com deficiência do município de Marília subiram as escadarias da sede da prefeitura para exigir o que é seu por direito: salários que já deveriam ter sido pagos há tempos.
O alvo da fúria silenciosa é o governo municipal — e não é para menos: são mulheres que trabalham incansavelmente e, no entanto, se deparam com o descaso oficial. O contrato emergencial de cerca de R$ 24,1 milhões firmado pela prefeitura com a empresa Polly Service — para prestar o serviço de cuidadoras — deveria garantir pagamento até o quinto dia útil de cada mês.
Mas os repasses municipais estacionaram em julho e outubro, somando cerca de R$ 2 milhões — deixando as profissionais no vácuo e revelando uma administração que parece brincar com a vida dos trabalhadores.
Enquanto isso, a prefeitura afirma que “já entrou em contato com a empresa” e que os salários seriam pagos “já nesta terça-feira”. Pergunta-se: por que só agora? Por que somente após manifestação? O silêncio prévio denuncia muito mais que simples atraso — é uma política de ignorar quem cuida.

E o que dizer da moral da história? Quando se trata de propaganda, a máquina municipal não poupa: em uma reportagem recente ficou apontado que a prefeitura de Marília já havia gasto mais de R$ 3,2 milhões em publicidade enquanto acumulava dívidas com cuidadoras terceirizadas.
Ou seja: dinheiro para marketing tem — para pagar quem está em sala de aula, apoiando alunos com necessidades, não. Uma inversão de prioridades que não é apenas lamentável: é revoltante.
As cuidadoras dizem: “Nós só queremos o que é nosso. Não viemos para brigar, mas buscar nossos direitos.” E têm razão. É papel da administração garantir que quem cuida receba dignamente.
Que fique claro: não se trata de um “pequeno atraso”. Trata-se de uma falha estrutural do governo municipal, que falha ambas na gestão contratual e na proteção social. A cidade precisa de respostas — e as cuidadoras, de respeito.


