No mundo das marcas institucionais, especialmente no setor educacional, a tradição não é uma âncora que prende ao passado, mas o alicerce que sustenta o futuro. O Univem, uma instituição cinquentenária com um legado inquestionável, enfrenta hoje o desafio clássico das grandes marcas: como se modernizar sem alienar a própria essência?
1. A Armadilha do “Novo por Moda”
A mudança de eixo que prioriza o “novo” como um fim em si mesmo, ignorando a história da instituição, cria um vácuo de identidade. Para uma marca que formou gerações de magistrados, advogados, gestores e profissionais de excelência, o marketing que foca apenas no “moderninho” corre o risco de ser lido como superficial.
“O novo que não cola é aquele que tenta apagar o brilho dos ‘medalhões’ para iluminar uma tendência passageira.”
2. A Desconstrução do Passado vs. Evolução
A estratégia de marketing parece ter se perdido na transição. Ao invés de uma linguagem de transição — que constrói uma ponte entre o legado dos fundadores e a inovação tecnológica — houve uma tentativa de ruptura.
- O Erro: Tentar ser disruptivo esquecendo que a maior força de venda do Univem é a segurança que o seu nome transmite no mercado de trabalho.
- A Consequência: Uma perda de autoridade perante o público que valoriza a solidez acadêmica e o corpo docente de renome (os verdadeiros medalhões).
3. Resgate Necessário: A Trilha Segura
O sucesso do Univem sempre esteve ligado aos seus corredores habitados por mestres e à memória de seus mantenedores. Implantar o novo (como o ecossistema de inovação e tecnologia) não exige descartar o clássico. Pelo contrário, a inovação ganha peso quando é validada pela tradição.
O que o Marketing deveria priorizar agora:
- O Resgate do Legado: Trazer de volta a narrativa dos profissionais de sucesso que passaram pela instituição.
- Equilíbrio de Narrativa: Mostrar que o Univem é moderno porque é experiente, e não apesar de ser experiente.
- Humanização: Valorizar os “medalhões” que permanecem e os que construíram a história, criando um sentimento de pertencimento que nenhuma campanha de “moda” consegue replicar.
O Rumo da Maturidade
O marketing que se perdeu na transição precisa entender que o Univem não é uma startup de ontem; é um titã da educação. Respeitar o passado não é retrocesso, é estratégia de posicionamento. O futuro do Univem depende de sua capacidade de ser o novo, mas com a alma de quem já sabe o caminho do sucesso há mais de meio século.


