A decisão do governador Romeu Zema de demitir a maestrina Lígia Amadio da regência titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais é mais do que um ato administrativo: é um absurdo político e cultural.
- Patrimônio da música: Lígia não é apenas uma regente talentosa; ela é um marco histórico. Em um espaço tradicionalmente dominado por homens, rompeu barreiras e se tornou a primeira mulher a ocupar a posição de regente titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais.
- Excelência e liderança: Construiu um trabalho sólido, conquistou o respeito dos músicos e defendeu melhores condições de trabalho. Sua atuação não foi apenas artística, mas também política, no sentido mais nobre: lutar por dignidade e valorização da cultura.
- Machismo estrutural: A demissão soa como resposta ao incômodo que sua presença causava em um espaço historicamente negado às mulheres. É o poder reagindo contra quem ousa ocupar, com autoridade e competência, lugares que antes eram exclusivos.
- Cultura pública punida: Ao invés de reconhecer e fortalecer quem eleva a cultura, o governo escolhe punir. É um recado perigoso: o talento e a coragem podem ser descartados quando desafiam estruturas arcaicas.
MG perde sua identidade cultural no governo Zema
O legado de Lígia Amadio transcende cargos e contratos. Ela abriu caminhos, enfrentou preconceitos e mostrou às novas gerações que a música clássica também é espaço de mulheres. Sua demissão não apaga sua história, mas expõe a fragilidade de uma gestão que prefere o retrocesso à valorização da cultura.
A cultura não pode ser tratada como moeda política. Demitir quem a engrandece é um erro que ficará marcado como desonra para Minas Gerais.


