Imagens mostram Elinho Júnior (PP) em confronto com vendedor de salgados; episódio expõe abuso de poder e fragilidade da representação política.
Um episódio lamentável marcou a política de Corumbá (MS): o vereador Elinho Júnior (PP) foi flagrado em vídeo agredindo verbalmente e fisicamente um trabalhador ambulante no centro da cidade. As imagens mostram o parlamentar alterado, ameaçando o vendedor José Elizeu e quebrando o isopor onde estavam os salgados — sua única fonte de renda.
Segundo relato do ambulante, a confusão começou quando ele parou em frente à lanchonete do vereador apenas para atender o telefone. A esposa do parlamentar questionou sua permanência no local, e a situação rapidamente evoluiu para agressões. No vídeo, Elinho Júnior chega a dizer: “Se eu te pegar aqui, você vai apanhar”, antes de destruir os pertences do trabalhador.
José desabafou após o episódio: “Minha dignidade, minha bicicleta, meu isopor, tudo foi pelo ralo”. O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais, com indignação popular diante da postura de um representante eleito que deveria zelar pelo povo, e não atacá-lo.
O episódio expõe a contradição entre o papel de um vereador e a prática de abuso de poder. A Câmara Municipal, que deveria ser espaço de defesa dos cidadãos, vê um de seus integrantes protagonizar violência contra quem luta para sobreviver.

A agressão não é apenas contra José Elizeu, mas contra toda a ideia de representação popular. Quando um vereador usa sua posição para intimidar e humilhar um trabalhador, a política perde credibilidade e a democracia se fragiliza.
Mais do que um caso isolado, o episódio revela a distância entre parte da classe política e a realidade da população. O ambulante, que depende de seu trabalho para viver, foi tratado como incômodo, não como cidadão.


