Mulher denuncia ter sofrido agressão sexual de Wassef

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Juliana Dal Piva e Igor Mello

Uma mulher apresentou nesta sexta-feira (13) uma denúncia de agressão sexual na Ouvidoria das Mulheres do Ministério Público de São Paulo contra Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro. No documento, ela diz ter sofrido uma tentativa de estupro em junho de 2024.

A coluna teve acesso com exclusividade à petição entregue ao MP-SP e, para proteger a mulher, não publicará seu nome. Além da petição, ela protocolou uma carta escrita de próprio punho e mensagens que trocou com pessoas que estavam próximas no dia em que teria sofrido a agressão. A coluna procurou o advogado Cléber Gerage, que está representando a mulher, e ele disse que o caso tramita em sigilo e, por isso, ele só falará em juízo. A coluna procurou Frederick Wassef e ele negou que tenha cometido qualquer crime.

Contato com Wassef

A mulher conta na carta que conheceu o advogado por ele representar o marido de uma colega de trabalho. Segundo ela, Wassef passou a frequentar o estabelecimento.

“[Wassef] Fazia brincadeiras do tipo se eu queria ser namorada dele e quando vinha me cumprimentar beijava minha boca sem meu consentimento”, escreve ela. “Achava que era algum jeito estranho dele de brincar, mas nunca levei a sério ou pro pessoal e até o advertia dizendo não quero que você faça mais isso”.

A vítima conta que passou a trabalhar para o PL, partido presidido em Atibaia por Wassef, em meados de 2024. Ela conta que participava de uma série de reuniões para acertar temas como “marketing e slogan de campanha”.

‘Falei gritando pra ele parar’

Em uma noite de junho de 2024, ela afirma que estava na sala da casa dele vendo TV e uma outra pessoa que trabalhava em estratégias de marketing para o partido também estava na casa, mas trabalhando em um computador. Outras pessoas iriam chegar mais tarde para uma atividade do PL de Atibatia, no interior de São Paulo. Ao chegar em casa, Wassef foi tomar banho.

Segundo ela, depois disso, Wassef saiu do banho só de toalha e foi em sua direção na entrada da sala. “Quando o Frederick Wassef saiu do banheiro, ele estava só com a toalha na cintura”, contou ela. “Eu fiquei sem graça pela situação”, completou.

Na carta, ela relata que, de toalha na cintura, advogado então teria puxado ela até seu quarto. A mulher narra que Wassef teria jogado ela na cama. “Ele me puxou pelo braço novamente e me botou na cama e se jogou em cima de mim, me beijando e tentando tirar minha roupa”.

A mulher segue com o relato sobre o episódio. De acordo com a vítima, Wassef ficou nu. “Falei gritando pra ele parar se não eu iria fazer escândalo, gritar”, segue o relato. “Até que a toalha dele caiu e continuei lutando pra sair e ele me agarrando e tentando tirar minha roupa”, relembra ela.

A mulher conta ter se desesperado e, após lutar com o advogado, conseguiu sair do cômodo e ir até a sala, onde uma outra pessoa estava. “Depois de gritar e tentar sair consegui escapar e o rapaz que estava na sala perguntou o que houve? Eu só me lembro de correr em direção ao portão e sair dali. Entrei no meu carro chorando”. A coluna apurou que ela teve medo de fazer a denúncia até esse momento e, por isso, não teria feito antes.

O advogado da mulher pede uma série de medidas protetivas e de investigação em relação a Wassef. Ele requer, por exemplo, que o advogado seja proibido de chegar a menos de 200 metros da vítima e dos família dela. Também pede a realização quebra dos sigilos telefônico e telemática tanto de Wassef quanto da mulher que fez a denúncia. Solicita ainda a apreensão de imagens de câmeras de segurança nas imediações da casa de Wassef.

O advogado da denunciante ainda pede que sejam canceladas eventuais autorizações para posse ou porte de armas dadas a Wassef, bem como a proibição de que ele faça contato com ela e com o homem que apontado como testemunha, inclusive por meios eletrônicos ou através de terceiros





Fonte: ICL Notícias

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