Sob a gestão de Weber Manga, governo municipal tenta justificar ausência de repasse de dezembro alegando “lacuna contratual” inédita, enquanto funcionários e pais protestam por salários e direitos.
VOTORANTIM/SP – A matemática financeira da Prefeitura de Votorantim parece ter desenvolvido uma lógica própria, e o resultado é desastroso para o setor social. Há 15 dias, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) vive um impasse dramático: o governo municipal recusa-se a depositar o repasse referente ao mês de dezembro. A justificativa? Uma suposta ausência de previsão contratual para o último mês do ano — uma tese que desafia décadas de histórico de convênios e a própria realidade do calendário civil.
O Protesto da Indignação
Na tarde desta segunda-feira (26), a fachada do Paço Municipal foi palco de um grito de socorro. Funcionários com salários atrasados e pais de alunos, angustiados com a proximidade do retorno às aulas (marcado para 2 de fevereiro), uniram-se em protesto. O clima é de incerteza absoluta. Como manter uma estrutura de excelência e atendimento especializado se os 17 profissionais que sustentam o serviço não sabem quando terão o que comer?
A “Invenção” Administrativa
O argumento apresentado pelos representantes do prefeito Weber Manga (Republicanos) é recebido com desdém e preocupação por quem conhece a rotina da entidade. Uma fonte administrativa da APAE, que solicitou sigilo por medo de represálias, resumiu a perplexidade da instituição:
“Na hora de pagar suas obrigações o governo quer criar um ano de 11 meses? O contrato é de 12 meses, não de 11. Desde que o convênio existe, o mês de dezembro é pago. Caso contrário, como os trabalhadores vão receber?”
O questionamento é jurídico e humanitário. Interromper o fluxo de recursos em dezembro ignora que as despesas fixas, tributos e, principalmente, a força de trabalho não entram em recesso das suas necessidades básicas.
Silêncio e Desprezo
A reportagem do Portal Porque buscou esclarecimentos junto à Prefeitura de Votorantim para entender sob qual base técnica um convênio de prestação de serviços contínuos excluiria o mês de encerramento do exercício. O resultado foi o silêncio. A ausência de resposta da gestão Weber Manga não é apenas uma falha de comunicação, é uma demonstração de desprezo para com a transparência pública e com as famílias que dependem da APAE.
Análise: O Custo da Insensibilidade
O atraso nos repasses não é um fato isolado, mas sim o ápice de uma série de “desencontros” que asfixiam o terceiro setor. Ao tentar economizar sobre o orçamento de uma entidade filantrópica, o governo municipal não gera “eficiência”, gera dano social. Se as aulas não retornarem no dia 2, a responsabilidade não será da APAE, mas sim de uma gestão que parece acreditar que o calendário administrativo pode ser editado para apagar dívidas legítimas.
Radiografia do Impasse
| Item | Detalhe da Situação |
| Instituição Lesada | APAE Votorantim |
| Status Financeiro | Repasse de Dezembro retido há 15 dias |
| Impacto Direto | 17 funcionários com salários atrasados |
| Risco Imediato | Suspensão do retorno às aulas em 02/02 |
| Argumento da Prefeitura | “O contrato não prevê pagamento em dezembro” |


