Zagueiro do Red Bull Bragantino, Gustavo Marques disparou contra a arbitragem após a eliminação para o São Paulo nas quartas de final do Paulistão. E detonou a atuação da árbitra Daiane Muniz, responsável pelo apito na partida. (ESPN)
Por Redação Portal GPN
É de assustar que, em pleno século XXI, ainda tenhamos que lidar com o “atavismo” de jogadores que usam o gênero de uma autoridade esportiva como muleta para justificar seus próprios fracassos. O episódio recente envolvendo comentários machistas direcionados à arbitragem feminina não é apenas um “desabafo de calor do jogo”; é um sintoma de uma doença social que insiste em tentar empurrar as mulheres para fora das grandes decisões.
A Incompetência com Roupagem de Preconceito
Criticar erros técnicos da arbitragem faz parte do espetáculo. No entanto, insinuar que uma mulher não tem competência ou estofo para apitar uma partida “desse tamanho” é inaceitável e demonstra uma insegurança masculina patética. O tamanho da partida não se mede pelo gênero de quem segura o apito, mas pela capacidade técnica de quem o faz. Usar a condição de mulher como justificativa para uma desclassificação é o último refúgio de quem não sabe perder.
Como bem lembrou a senadora Leila do Vôlei, relatora da Lei Geral do Esporte, o Brasil já modernizou sua legislação justamente para deixar claro: não há espaço para discriminação. O esporte brasileiro não é mais um “clube do Bolinha” onde o preconceito corre livre sob o pretexto da “emoção do momento”.
O Dever das Entidades: Punição, Não Apenas Nota de Repúdio
Clubes e entidades esportivas têm o dever moral e legal de promover ações educativas, mas, acima de tudo, de punir. O machismo no esporte não pode ser varrido para debaixo do tapete com um pedido de desculpas protocolar. Desculpas não apagam o desserviço feito às milhares de meninas que sonham em ocupar espaços de poder no esporte e que, ao ligarem a TV, veem seus ídolos questionando sua própria existência nesses lugares.
OPINIÃO PORTAL GPN: O ESPORTE PRECISA SER EXEMPLO, NÃO CAVERNA
O Portal GPN desce o sarrafo nessa conduta retrógrada. O esporte deve ser o espaço do exemplo, do respeito e da igualdade. Quando um atleta de alto rendimento abre a boca para destilar machismo, ele não está apenas ofendendo a árbitra; ele está agredindo a Lei Geral do Esporte e o esforço de décadas de modernização do nosso cenário atlético.
No Brasil, onde o esporte é ferramenta de inclusão para tantas jovens, esse tipo de comportamento deve ser visto como um “cartão vermelho” definitivo. O tempo da “conversa de vestiário” preconceituosa acabou. Quem não tem maturidade para ser apitado por uma mulher, não tem maturidade para ser chamado de profissional.
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