
Wellington Alexandre
“Semeei disposição no chão de barro. Fiz minha colheita antes do asfalto chegar; sempre com convicção no que eu narro, pois eu sei que tem vários a se espelhar”. A frase de MC Neguinho do Kaxeta, na música Exemplo do MC Hariel, pode ressoar como um norte para a turma com mais de 20 jovens que iniciou a oficina da Escola de Criadores, do Instituto KondZilla, na Casa do Artesão, na Casa do Trem do Bélico (Centro Histórico de Santos).
A iniciativa oferece formação gratuita em audiovisual, design, marketing e cultura digital, reunindo jovens de 16 a 22 anos interessados em transformar o fluxo de ideias e sua visão de mundo em carreira na economia criativa.
Criada em 2022, a Escola de Criadores começou no Guarujá, expandiu-se rapidamente para outras cidades e agora chega a Santos, com atividades às quartas, quintas e sextas-feiras.

“A escola está chegando agora à Baixada em um formato mais robusto, e essa turma de Santos marca um início muito especial. O projeto cresce aos poucos, com apoio da Lei de Incentivo, e já vemos adolescentes, pais e comunidades muito engajados. É um movimento necessário para levar estudo, referências e possibilidades de trabalho para jovens de periferias que historicamente não têm esse acesso”, afirma Mayara Gomez, arte-educadora da Escola de Criadores.
TRABALHO COLETIVO
As primeiras aulas foram dedicadas à integração do grupo e à apresentação da dinâmica dos próximos quatro meses. A metodologia prioriza o trabalho coletivo, a construção de narrativas próprias e o entendimento de todas as etapas de uma obra audiovisual, da roteirização à pós-produção, além de noções de economia criativa e divulgação.
“Também vamos trabalhar com economia criativa, marketing, distribuição e todas as etapas do processo. Santos tem muitos talentos, muitos atores, então acreditamos que vai sair coisa muito boa daqui”, acrescenta Mayara.
Com mais de 200 jovens formados em diferentes cidades, a Escola de Criadores já tem ex-alunos atuando no mercado audiovisual, alguns inclusive dentro do próprio Instituto KondZilla. A chegada a Santos amplia ainda mais esse impacto.
“Sempre digo que sou fruto de projeto social, o Projeto Carlitos, que levava aulas de teatro e artes em geral para dentro das escolas de Santos”, lembra Luiz Fernando Almeida, coordenador de produção e educador líder. “Hoje, aos 51 anos, sinto que é meu momento de retribuir. A criatividade, quando a gente ativa, não desliga mais. Mesmo que esses jovens não sigam no audiovisual, sairão profissionais melhores, mais criativos, mais preparados. Já na primeira semana percebemos o empenho e o nível alto das atividades”, complementa.
ENTUSIASMO
Entre os estudantes, o clima é de entusiasmo. Moradora da Alemoa, na Zona Noroeste, Maria Elisa Gomes, de 22 anos, quer ampliar conhecimentos na área em que já atua de forma independente. “Quero ver outras formas de fazer o que já conheço, ter outra visão das funções do audiovisual”.
Sua amiga, Mônica Silva Siqueira, de 19 anos, moradora da Caneleira, reforça o desejo de crescer. “Sempre busco aprender coisas novas. Aqui é uma oportunidade de complementar o que já faço com meu coletivo”.
Para Fabrício Cordeiro Fernandes, de 23 anos, morador do Centro Histórico, a oficina representa uma porta para o mercado. “Quero entender melhor a produção, as fases de pré e pós, tudo que envolve esse universo. Só nesses primeiros dias já aprendi muita coisa”.
A iniciativa conta com o apoio da Prefeitura, por meio da Secretaria de Comunicação e Economia Criativa (Secom).
Esta iniciativa contempla o itens 4 (Educação de Qualidade) e 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico) dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Conheça todos os artigos dos ODS.
Fonte: Prefeitura de Santos


