Enquanto helicópteros sobrevoam as favelas e blindados avançam pelas vielas, o silêncio reina nos condomínios de luxo. A operação que deixou mais de 130 mortos no Rio de Janeiro não é apenas um episódio isolado — é o retrato de uma política pública que escolhe quem vive e quem morre. E, como sempre, os alvos são os mesmos: negros, pobres, periféricos.
Nunca se ouviu falar de uma incursão policial que terminasse com dezenas de corpos em condomínios da Barra da Tijuca, do Leblon ou dos Jardins. A lógica é clara: o Estado não entra onde há poder econômico. Ele invade onde há vulnerabilidade. E quando entra, não é para proteger — é para matar.
A militarização da pobreza
A favela virou campo de guerra. A cada nova operação, o número de mortos cresce, e a justificativa é sempre a mesma: “combate ao tráfico”. Mas o que se vê são corpos jogados em matas, casas invadidas, crianças traumatizadas e famílias destruídas. A segurança pública virou espetáculo de violência, e o mandatário que a promove parece comemorar cada morte como um troféu.
O fascismo disfarçado de ordem
Quando o governante celebra operações letais, ignora os direitos humanos e trata a vida como descartável, não estamos diante de uma política de segurança — estamos diante de um projeto fascista. Um projeto que transforma o luto em estatística e a dor em propaganda.
A pergunta que não cala: por que a bala do Estado nunca chega ao condomínio? Porque lá, a vida tem valor. Na favela, ela é moeda de troca.
A urgência da resistência
É preciso denunciar, resistir e exigir:
- Políticas públicas que respeitem a vida
- Investimento em educação, saúde e cultura nas periferias
- Fim da lógica de guerra contra os pobres
- Investigação independente das operações letais
A favela não é inimiga. É lar, é cultura, é força. E enquanto o Estado insistir em tratá-la como alvo, estaremos todos falhando como sociedade.


