O Brasil ostenta um título vergonhoso há mais de uma década: é o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo. Em 2024, foram registrados 122 assassinatos, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). A maioria das vítimas eram mulheres trans, jovens, negras e empobrecidas, mortas com requintes de crueldade, muitas vezes em locais públicos e durante a noite. A expectativa de vida dessa população gira em torno de 35 anos, um dado que escancara o abismo social e a negligência institucional.
Essa realidade não é fruto do acaso. É consequência de uma sociedade que ainda se recusa a reconhecer a legitimidade da identidade trans. A transfobia, muitas vezes disfarçada de “opinião” ou “preocupação moral”, se manifesta em discursos de ódio, exclusão social, negação de direitos básicos e, tragicamente, em assassinatos. A ausência de políticas públicas eficazes, a falta de dados oficiais e a impunidade alimentam esse ciclo de violência.
Defender a opção trans é, acima de tudo, defender o direito de existir. É reconhecer que identidade de gênero não é uma ameaça, mas uma expressão legítima da diversidade humana. É garantir que pessoas trans tenham acesso à saúde, educação, trabalho e segurança, sem serem reduzidas a estereótipos ou alvos de violência.
O Brasil precisa urgentemente de ações concretas: campanhas de conscientização, formação de profissionais, protocolos de atendimento humanizado, cotas educacionais e mecanismos de denúncia eficazes. Mais do que números, estamos falando de vidas — como a de Ana Luisa Pantaleão, assassinada aos 19 anos, ou de Rafaela Lorena, morta dentro de uma penitenciária.
A luta contra a transfobia é uma luta por justiça, por humanidade e por um país que não aceite mais ser líder em assassinatos, mas sim em inclusão. Porque nenhuma sociedade é verdadeiramente democrática enquanto parte de sua população vive marginalizada por conta de sua identidade.
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