O pai que acionou a Polícia Militar após a filha de 4 anos fazer um desenho da orixá Iansã em uma atividade escolar foi indiciado pela Polícia Civil de São Paulo por intolerância religiosa. O caso ocorreu em uma escola municipal da zona oeste da capital.
A investigação foi conduzida pelo 34º Distrito Policial, na Vila Sônia. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário em fevereiro para análise.
Paralelamente, o episódio também é apurado por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM), já que policiais entraram armados na escola após a chamada do pai. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o procedimento ainda está em fase de instrução, com análise das imagens das câmeras corporais e coleta de depoimentos dos envolvidos.
A identidade do homem não foi divulgada. De acordo as informações iniciais, ele é policial militar. A reportagem não conseguiu localizar a defesa para comentar o caso.

Relembre o episódio
O caso aconteceu no início de novembro de 2025, na Escola Municipal de Ensino Infantil Antônio Bento, no bairro do Caxingui. Incomodado com um desenho feito pela filha durante uma atividade escolar, o pai acionou a Polícia Militar.
Quatro policiais armados foram até a escola após a ligação. Um deles portava uma arma de grosso calibre. Segundo relatos, os agentes afirmaram que a criança estaria sendo obrigada a participar de “aulas de religião africana”.
Professores e pais de alunos relataram que a atuação dos policiais foi considerada hostil. A reclamação do pai era de que a filha estaria tendo contato com ensino religioso diferente da religião praticada pela família.
Um dia antes de chamar a polícia, o pai já havia ido à escola e rasgado um mural com desenhos feitos pelos alunos, que retratavam elementos da cultura afro-brasileira, segundo a direção.
A escola chegou a convidá-lo para uma reunião para esclarecer dúvidas sobre a atividade pedagógica, mas ele não compareceu e posteriormente acionou a polícia.
Após a repercussão do caso, a diretora da escola solicitou licença médica, afirmando sentir-se ameaçada.
A Secretaria Municipal de Educação informou que o trabalho desenvolvido pelos alunos fazia parte da proposta pedagógica da escola. O ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena é obrigatório no currículo da rede municipal de São Paulo.
Os desenhos foram inspirados no livro Ciranda de Aruanda, de Liu Oliveira, que apresenta orixás como personagens lúdicos para abordar aspectos da cultura afro-brasileira. Segundo a direção da escola, a atividade não tinha caráter religioso.
Fonte: ICL Notícias


