Polícia Civil de PE admite ter monitorado aliados de João Campos sem registro formal

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A Polícia Civil de Pernambuco reconheceu que monitorou aliados do prefeito do Recife, João Campos (PSB), sem abertura de investigação formal. Em ofício assinado pelo delegado-geral Felipe Monteiro Costa, a corporação admitiu que a chamada “Nova Missão”, ação de inteligência conduzida pela Diretoria de Inteligência (Dintel), ocorreu sem registro de boletim de ocorrência, instauração de procedimento preliminar, designação formal de responsáveis ou abertura de inquérito administrativo ou criminal.

O documento também afirma que não houve cadastro no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), comunicação ao Judiciário ou elaboração de relatório técnico sobre a operação. Segundo a polícia, a missão foi encerrada após não serem confirmados indícios de ilícitos.

O caso está sob apuração da Polícia Federal por determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em despacho, o ministro apontou indícios de possível operação clandestina, com uso de ferramentas de vigilância, como rastreamento e reconhecimento facial, sem controle judicial e com possível finalidade política. Para Mendes, a prática pode violar princípios constitucionais como legalidade, impessoalidade e inviolabilidade da intimidade, embora ele tenha afirmado que, até o momento, não há atribuição direta de responsabilidade às mais altas autoridades do Executivo estadual.

A investigação ganhou repercussão após reportagem da TV Record revelar que, em setembro do ano passado, agentes da Polícia Civil teriam seguido o carro do secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro, e de seu irmão, Eduardo Monteiro. Um equipamento rastreador teria sido instalado no veículo enquanto ele estava estacionado próximo a um supermercado. Os dois também teriam sido fotografados durante a ação.

Inicialmente, a Polícia Civil afirmou que a operação teria sido motivada por denúncia anônima sobre suposto pagamento de propina a um servidor municipal. No entanto, no ofício, a corporação reconheceu que a denúncia foi recebida fisicamente, em um envelope, sem protocolo em sistemas oficiais.

Segundo a polícia, não houve designação específica para a apuração porque a equipe atuou dentro de suas atribuições regulares na inteligência policial. A corporação também afirmou que não comunicou a Justiça porque as técnicas empregadas não dependeriam de autorização judicial.

O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, declarou anteriormente que a checagem preliminar de denúncias sem instauração de inquérito faz parte da rotina da polícia. Ele afirmou que uma equipe de cerca de dez policiais participou da apuração, que teria sido encerrada após não serem encontrados elementos que confirmassem irregularidades.

A Prefeitura do Recife classificou a atuação como ilegal e sustentou que houve uso político da estrutura policial em meio ao cenário eleitoral. João Campos e a governadora Raquel Lyra (PSD) são apontados como possíveis adversários na disputa pelo governo de Pernambuco neste ano.





Fonte: ICL Notícias

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