Nem os mais de 100 mortos, nem os tanques nas ruas, nem os helicópteros sobrevoando comunidades foram suficientes para convencer os cariocas de que estão mais seguros. Segundo levantamento da Genial/Quaest, 52% dos moradores do Rio de Janeiro afirmam que a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão não trouxe sensação de segurança.
A ação, que foi celebrada por autoridades como um “duro golpe contra o crime organizado”, parece ter surtido efeito apenas na popularidade do governador Cláudio Castro — que subiu 10 pontos após os confrontos. Mas para a maioria da população, o medo continua o mesmo. Ou pior.
A pesquisa revela um abismo entre a narrativa oficial e a percepção das ruas. Enquanto o governo exibe números de mortos como troféus, mais da metade dos entrevistados não se sente protegida. E isso inclui moradores das próprias comunidades onde a operação aconteceu.
Especialistas apontam que ações de grande impacto, sem planejamento e sem diálogo com a população, podem até gerar manchetes, mas não resolvem o problema da violência. “É uma política de segurança que aposta no espetáculo, não na solução”, afirma um sociólogo ouvido pela reportagem.
A pergunta que fica é: vale a pena transformar o Estado em palco de guerra se o resultado é mais medo e menos confiança? Para os moradores do Rio, a resposta parece clara — e ela não está nos números da operação, mas no silêncio das ruas.


