Após retorno dos trabalhos legislativos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe lideranças da Câmara dos Deputados na Granja do Torto, em Brasília, nesta quarta-feira (4/2), para estreitar as relações. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou presença no evento. Líderes de partidos da base e ministros também devem comparecer.
O encontro foi articulado pela ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), e terá um caráter mais informal. Nos últimos anos, o presidente fez eventos semelhantes com o objetivo de ouvir líderes partidários e projetar ações entre o Executivo e o Congresso Nacional. O último ocorreu em abril do ano passado.
Lula também planeja fazer uma nova reunião, mas com o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) e lideranças do Senado depois do Carnaval. A recepção foi dividida devido à baixa presença de senadores em Brasília nesta semana.
O encontro acontece depois de momentos de turbulência entre Executivo e Legislativo ao longo de 2025. Decisões de Motta desgastaram a relação com o governo Lula e líderes, sobretudo na condução dos trabalhos do PL da Dosimetria e do PL Antifacção — uma prioridade para o Executivo.
O chefe da Casa Baixa, agora, tenta evitar polêmicas e tem demonstrado apoio a pautas com apelo popular e que coincidem com a agenda do petista. Já na abertura dos trabalhos, na segunda-feira (2/2), a Câmara aprovou a Medida Provisória que cria o programa Gás do Povo, que prevê a distribuição gratuita de botijões a famílias de baixa renda. O governo espera alcançar mais de 15 milhões de famílias a partir de março.
Calendário apertado
- Em ano eleitoral, Lula quer aprovar no Congresso medidas que poderão dar tração à campanha de reeleição.
- Entre as principais propostas, estão o projeto de regulamentação do trabalho por aplicativo, como Uber e iFood, e o fim da escala 6×1.
- Em mensagem ao Congresso, nessa segunda, Lula frisou a necessidade de avançar com as matérias.
- O prazo para análise das propostas é mais enxuto neste ano devido às eleições, marcadas para outubro. Com isso, o governo precisa aprovar tudo até o fim do primeiro semestre.
Pautas prioritárias
O presidente tem defendido a regulação do trabalho por apps ainda neste ano. Em mensagem ao Congresso na abertura dos trabalhos legislativos, ele argumentou ser “urgente” a definição de regras para este modelo de trabalho.
“Dentre os desafios nacionais inerentes ao Executivo e ao Legislativo para 2026, destaco ainda a urgente necessidade de regulação do trabalho por aplicativos, uma demanda importante das novas categorias profissionais, que não podem ter sua mão de obra precarizada e dependem de defesa institucional do Estado brasileiro para mediar melhores condições de trabalho”, disse o petista no texto entregue pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa.
Lula ainda pediu o fim da escala 6×1, sem redução no salário. O governo prepara um projeto de lei em regime de urgência para unificar as propostas de redução de jornada que tramitam no Congresso. Segundo o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), a proposta será encaminhada após o Carnaval.
“Nosso próximo desafio é o fim da escala 6×1 de trabalho, sem redução de salário. O tempo é um dos bens mais preciosos para o ser humano. Não é justo que uma pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas um dia para descansar o corpo e a mente e curtir a família”, ressalta Lula, em outro trecho da mensagem ao Congresso.
Fonte: Metrópoles








