PREFEITURA DE S. PAULO FECHA PROJETO SOLIDÁRIO DO PADRE JULIO LANCELOTTI QUE DISTRIBUIA COMIDA A MORADORES DE RUA

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Da Redação do Portal GPN

Em uma decisão que levanta sérios questionamentos éticos e humanitários, a Prefeitura de São Paulo oficializou o fechamento do Núcleo de Convivência São Martinho, na Mooca. O espaço, fundado há mais de três décadas pelo Padre Júlio Lancellotti, era o porto seguro de aproximadamente 450 pessoas em situação de vulnerabilidade extrema que, diariamente, encontravam ali mais do que uma marmita: encontravam dignidade.

O “Outro Lado” que não convence

A gestão municipal alega uma “requalificação da rede” e promete que o atendimento será absorvido por outros equipamentos da região, como o Arsenal da Esperança. No entanto, quem conhece a realidade das ruas sabe que a assistência social não é uma conta matemática de somar e subtrair vagas. O fechamento de um ponto de referência consolidado rompe vínculos de confiança e ignora a capilaridade necessária para atender uma população que já vive à margem.

Zeladoria acima da Vida?

Esta medida não parece isolada. Ela surge em um contexto onde a “zeladoria urbana” e a pressão de associações de moradores por bairros “limpos” parecem atropelar o direito básico à alimentação. Ao remover centros de acolhida de áreas residenciais sob o pretexto de “readequação”, o poder público flerta perigosamente com a aporofobia — o medo e a rejeição ao pobre.

Aporofobia Institucionalizada

Não é de hoje que a distribuição de alimentos em São Paulo sofre ataques. Lembramos de projetos de lei que tentaram multar quem doa comida e de ações da GCM que intimidaram voluntários. O fechamento do centro na Mooca é mais um capítulo dessa política que prefere esconder o problema em vez de resolvê-lo.

Onde está o “prumo” de uma gestão que investe em revitalização de praças e “Times Square” no centro, mas retira o teto de quem serve o pão? Como diz o próprio Padre Júlio, morrer de fome ou de frio no século 21 não é fatalidade, é uma escolha política.

A prefeitura pode até fechar as portas de um prédio, mas não pode calar a necessidade de quem tem fome. É preciso que a sociedade paulistana “tome tento”: uma cidade que combate quem ajuda, em vez de combater a miséria, é uma cidade que perdeu seu propósito.

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