A decisão da Câmara de Marília de arquivar o projeto que previa merenda para professores é mais do que um retrocesso — é um sinal de desconexão com a realidade das escolas públicas.
Professores também têm fome — e jornada dupla
Professores não são máquinas. Muitos enfrentam jornadas duplas, acumulam aulas em diferentes escolas e, por vezes, não têm tempo sequer para almoçar. Negar a eles o direito à merenda — já garantida aos alunos — é ignorar que o educador também precisa de energia para ensinar, cuidar e formar cidadãos.
Parecer técnico, mas sem empatia
O projeto foi arquivado após parecer contrário do procurador legislativo, que alegou “vício de iniciativa”. Tecnicamente pode haver argumentos, mas falta sensibilidade.
É fácil emitir parecer jurídico quando se tem salário elevado, tempo para almoço e gabinete climatizado. Difícil é estar na sala de aula, lidando com 30 alunos, em média, sem pausa, sem comida, sem apoio, sujeitando-boa parte para complementar o salário baixo, a jornada dupla, tendo que se deslocar em apenas 1 hora de uma escola a outra, ficando muitas vezes sem comer.
Merenda não é privilégio — é dignidade
A alimentação escolar é uma política pública de saúde e bem-estar. Estender esse direito aos professores não é luxo, é respeito. Em muitos municípios, essa prática já existe — e funciona. Por que Marília não pode ser exemplo?


