
Adotadas pelos santistas como um dos símbolos da Cidade, as muretas da orla da Ponta da Praia podem se tornar, oficialmente, patrimônio material e imaterial do Município. A proposta para abertura do processo de tombamento foi aprovada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa), que estuda a preservação do trecho localizado na Avenida Rei Pelé (antiga Avenida Saldanha da Gama), entre a Rua Carlos de Campos e a Praça Almirante Gago Coutinho.
A proposição tem como objetivo resguardar a paisagem atual, garantindo que o popular ícone santista não seja substituído, no futuro, sem ampla discussão. “A história das muretas remonta à expansão do bairro Ponta da Praia e ao desenvolvimento do município, por isso é importante preservá-la. Ao longo dos anos, a estrutura de forte identidade visual, que teve a assinatura do engenheiro Carlos Lang, foi replicada nas extremidades dos canais, em equipamentos públicos, jardins e até em objetos de decoração, tornando-se um dos elementos gráficos mais reconhecíveis da paisagem urbana”, afirma o autor da proposta, o jornalista, mestre em Psicologia e Políticas Públicas e secretário municipal Chefe de Gabinete de Santos, Rafael Oliva.
Com o passar do tempo, as muretas deixaram de ser apenas estruturas arquitetônicas de alvenaria para assumir um papel simbólico no estilo de vida santista. Estampadas em tatuagens e reproduzidas em suvenires, joias, camisetas e diversas manifestações culturais, passaram a integrar a memória afetiva e a identidade local, fortalecendo o sentimento de pertencimento à Cidade.

“Nesse sentido, o objetivo da proposta é preservar a estrutura em seu trecho original e também reconhecer o simbolismo imaterial adquirido ao longo do tempo, configurando uma iniciativa pioneira nesse campo junto ao Condepasa”.
HISTÓRICO
A construção das muretas integrou um conjunto de intervenções urbanas realizadas na terceira gestão do prefeito Antônio Gomide Ribeiro dos Santos (1941–1945), período que também incluiu a implantação do Aquário e a ampliação do jardim da orla, no trecho próximo à antiga Avenida Saldanha da Gama.
A obra acompanhou a expansão urbana em direção à então área da barra, região que atualmente engloba a Ponta da Praia e partes dos bairros Embaré, Aparecida, Macuco e Estuário, à época ainda pouco ocupada.

Atendida por linhas de bonde e pela Linha Forte Augusto, da Companhia Docas de Santos, essa porção da Cidade ganhou impulso com a inauguração, em 1930, da travessia de balsas para Guarujá e a abertura de uma estrada de rodagem, hoje representada pelas avenidas Epitácio Pessoa e Rei Alberto I.
Mas, diferentemente de outros trechos da orla, a Ponta da Praia não possuía via costeira, já que o acesso ao ferry-boat foi implantado atrás da ocupação. Para solucionar essa limitação, a Prefeitura de Santos projetou uma nova via à beira-mar e, em 1941, o engenheiro Carlos Lang, então chefe da Diretoria de Obras do Município, assinou o primeiro desenho da chamada “balaustrada da avenida”, inspirado na estética do Art Déco.
O guarda-corpo modular, além de proteger pedestres, valorizava a paisagem urbana voltada ao turismo. O projeto também previa colunas, pórticos e rampas de acesso ao mar destinadas ao uso de entidades náuticas e da polícia marítima.
Sendo assim, as muretas foram construídas entre 1943 e 1945, com estrutura simples e repetitiva, marcada por aberturas circulares voltadas para o canal do porto e para o mar.
Esta iniciativa contempla os itens 9 e 11 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Indústria, inovação e infraestrutura e Cidades e Comunidades Sustantáveis. Conheça os outros artigos dos ODS
Fotos: Marcelo Martins e Francisco Arrais
Fonte: Prefeitura de Santos


