Quando a intensidade vira sofrimento: como reconhecer os sinais do transtorno de personalidade borderline

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Especialista no tratamento de casos graves, Viviane Nascimento fala sobre emoções extremas, relações instáveis e os desafios de diagnóstico e acolhimento

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, cerca de 2 milhões de pessoas vivem com transtorno de personalidade borderline (TPB) no Brasil, representando um desafio significativo para quem convive com a condição — sejam pacientes, familiares ou profissionais de saúde. Viviane Nascimento, psicóloga especializada no atendimento de casos graves, fala sobre os sinais, os mitos e a importância do acolhimento adequado.

O TPB é caracterizado por um padrão duradouro de instabilidade nas relações interpessoais, na autoimagem e nos afetos, além de impulsividade acentuada. Essa instabilidade afeta diversas áreas da vida, tornando o cotidiano uma luta constante para manter o equilíbrio emocional.

“As emoções extremas são uma marca registrada do borderline. Pequenos acontecimentos podem gerar reações desproporcionais, como explosões de raiva, crises de choro ou picos de ansiedade”, explica Viviane. Essa sensibilidade emocional, aliada a um medo intenso de abandono, contribui para relações instáveis, marcadas por idealização e desvalorização sucessivas. O descontrole emocional pode levar a comportamentos impulsivos, como gastos compulsivos, uso de substâncias ou automutilação.

O diagnóstico do TPB é complexo e frequentemente confundido com outras condições, como transtorno bipolar ou depressão. Essa semelhança de sintomas pode atrasar o início do tratamento adequado. Por isso, é essencial que o diagnóstico seja feito por um profissional capacitado, com olhar atento à história emocional e relacional do paciente.

“Identificar corretamente o TPB é o primeiro passo para que o paciente compreenda a origem do próprio sofrimento e se engaje no tratamento. O acolhimento, sem julgamento, é essencial nesse processo”, reforça Viviane Nascimento.

Além das barreiras clínicas, o transtorno ainda é cercado por estigmas. A falta de informação contribui para o preconceito, inclusive dentro do próprio sistema de saúde, o que intensifica o sentimento de isolamento e invalidação vivido por muitas pessoas com TPB.

Viviane defende a necessidade de desmistificar o transtorno e ampliar o acesso à informação. “O borderline não é uma escolha. É uma condição de saúde mental que exige empatia, tratamento especializado e suporte contínuo”, afirma. Nesse contexto, a Terapia Comportamental Dialética (DBT) tem se destacado como abordagem eficaz, auxiliando pacientes a desenvolverem habilidades de regulação emocional, tolerância ao desconforto e construção de vínculos mais saudáveis.

Fonte: Viviane Nascimento — Psicóloga clínica | Especialista em comportamento alimentar, com foco em comer emocional e compulsão alimentar @psi.vivianenascimento

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