Imagine um Brasil onde vereadores trocam seus mandatos, sua história, sua moralidade e seu legado por cargos. Onde o voto dado em plenário — expressão máxima da democracia — é vendido como mercadoria. Se isso algum dia acontecer em qualquer canto do país, será um dos episódios mais vexatórios da política nacional.
Vereadores são eleitos para representar o povo, não para negociar interesses pessoais. O mandato é um compromisso público, não uma oportunidade privada. Trocar votos por favores, cargos ou benesses é trair a confiança do eleitor. É rasgar a biografia. É desonrar o nome que se leva para casa.
Se fosse este editorialista a protagonizar tal cena, teria vergonha de encarar esposa e filhos. Como explicar a uma criança que o pai se vendeu na Câmara? Que trocou princípios por conveniências? Que abandonou o povo para servir a interesses de gabinete?
Esse tipo de prática — se algum dia ocorrer — é um atentado à democracia. É a institucionalização do conchavo. É a morte da independência legislativa. E por isso, torcemos para que nunca ocorra. Que os vereadores, em qualquer cidade do Brasil, continuem agindo com autonomia, com ética, com respeito ao voto que receberam.
Por sorte, em Marília, nada disso acontece. Aqui, os vereadores mantêm distância respeitosa dos mandatários do poder. Aqui, o voto ainda é expressão de consciência, não de conveniência. Que assim continue. Que a política não se transforme em balcão de negócios. Que o mandato seja sempre sinônimo de dignidade.


