Dor, contração involuntária e medo da penetração são sinais de um distúrbio real, que tem nome, causa, tratamento e solução
Mesmo em pleno 2025, falar sobre dor na relação sexual ainda é um tabu. Muitas mulheres sentem vergonha, medo de serem julgadas ou até acreditam que “é coisa da cabeça”. Mas existe um distúrbio real, diagnosticável e tratável que precisa ser trazido à luz: o vaginismo. Caracterizado pela contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico, o vaginismo dificulta ou impede qualquer tipo de penetração vaginal, incluindo relações sexuais, exames ginecológicos, inserção de absorventes internos ou copinhos menstruais.
Durante muito tempo, esse distúrbio foi chamado de vaginismo, termo ainda amplamente usado. Hoje, a medicina reconhece que o problema pode incluir dor, tensão muscular, medo da penetração e outros fatores físicos e emocionais, e passou a nomeá-lo como transtorno de dor genito-pélvica/penetração. Mas independente do nome, Flávia ressalta que a dor é real e tem tratamento, “não é frescura, não é falta de vontade e muito menos algo que se resolve com força de vontade. É um reflexo condicionado que precisa ser compreendido e tratado com respeito e técnica”, explica Flaviana Teixeira, fisioterapeuta pélvica e palestrante especializada no cuidado com a saúde íntima feminina.
Embora pouco discutido, o vaginismo é mais comum do que se imagina. Estudos apontam que até 7% das mulheres podem apresentar sintomas compatíveis com vaginismo ao longo da vida, embora os números variem por subnotificação e ausência de diagnóstico adequado.
A boa notícia é que há tratamento. E a fisioterapia pélvica tem papel central nesse processo. A abordagem fisioterapêutica envolve técnicas específicas de dessensibilização da região íntima, treinamento respiratório, controle da musculatura e uso de dilatadores vaginais de forma gradual e orientada. Mais do que uma intervenção técnica, o tratamento exige escuta, acolhimento e conexão com o ritmo e os limites da paciente.
“Cada caso é único. Existem mulheres que nunca conseguiram manter relações sexuais sem dor, outras que desenvolveram o vaginismo após traumas, partos difíceis ou vivências negativas com o próprio corpo. Por isso, o processo precisa ser gentil e individualizado”, afirma Flaviana.
Em muitos casos, a fisioterapia é associada ao acompanhamento psicológico para lidar com os aspectos emocionais envolvidos. A abordagem multidisciplinar amplia as chances de sucesso e reforça que o corpo e a mente não podem ser dissociados no tratamento de uma condição tão complexa. “A paciente precisa se sentir segura para se reconectar com seu próprio corpo. E isso passa pela informação, pelo cuidado técnico e, acima de tudo, pela ausência de julgamentos”, completa a especialista.
Mais do que devolver a capacidade de viver uma vida sexual plena, o tratamento do vaginismo é um processo de reconexão e retomada da liberdade sobre o próprio corpo. E começa, muitas vezes, por romper o silêncio.
Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica @flavianateixeirafisio | flavianafisiopelvica.com.br


