A história de Priscila Motta da Rocha Antônio, estudante de nutrição da USP em Ribeirão Preto, expõe não apenas a violência do racismo cotidiano, mas também a fragilidade das instituições diante de um crime que deveria ser combatido com firmeza.
O Racismo Travestido de “Piada”
Os ataques começaram em abril, quando uma colega descobriu que Priscila havia ingressado pelo sistema de cotas.
- Foi chamada de “a cota do grupo” em meio a colegas brancas.
- Sofreu agressões físicas, como ser atingida com uma chave na biblioteca.
- Ouviu comentários debochados sobre casar com um artista negro “porque ele também era cotista”.
Essas situações não são brincadeiras: são violências racistas que desumanizam, isolam e ferem profundamente.
Consequências devastadoras
Priscila deixou de frequentar a universidade, mergulhou em um quadro de depressão e hoje precisa de sete medicamentos antidepressivos para lidar com os impactos psicológicos. O racismo não é apenas uma ofensa verbal: é uma agressão que destrói vidas, sonhos e trajetórias acadêmicas.
O silêncio da instituição
A denúncia feita à Comissão de Direitos Humanos da USP resultou apenas em uma proposta de mediação — dependente da aceitação da agressora.
- A Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) só abriu processo administrativo após o caso ganhar repercussão nas redes sociais.
- A demora institucional reforça a sensação de abandono e desamparo da vítima.
Crítica necessária
O episódio revela uma inversão cruel de responsabilidades: a vítima agoniza, perde um semestre inteiro, enquanto a universidade hesita em agir. O racismo não pode ser tratado como “conflito entre colegas”, mas como crime.
- A universidade deveria ser espaço de inclusão e respeito.
- A demora em agir mostra que ainda há racismo estrutural dentro das próprias instituições que deveriam proteger seus estudantes.
O caso de Priscila é um alerta: não basta ter cotas se não há políticas efetivas de proteção e acolhimento. O racismo corrói não apenas indivíduos, mas a credibilidade de instituições que se dizem comprometidas com a diversidade. Justiça e reparação são urgentes — porque cada dia de silêncio é mais um dia em que vidas negras são apagadas dentro da universidade.
A USP de Ribeirão Preto faria uma reunião sobre o caso no dia 11/12 passado, aguardando portanto o pronunciamento da instituição.


