Fortalecer a rede de proteção e preparar profissionais da educação para identificar, acolher e enfrentar situações de violência contra meninas no ambiente escolar. Esse é o objetivo do seminário “Redes de Proteção: acolher, mediar e transformar – todos pela segurança das meninas na escola”, realizado nesta quinta-feira, 5, no Ceforr (Centro Estadual de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima).
A iniciativa integra o Programa Por Elas – Protege RR, desenvolvido pelo Governo de Roraima, por meio da Seed (Secretaria de Educação e Desporto), em parceria com a Associação Serenas. O evento reúne professores formadores e orientadores educacionais ao longo de todo o dia para discutir estratégias de prevenção e acolhimento.
Organizado pelo Ceforr e pela Dipe (Divisão de Desenvolvimento Psicossocial Escolar), o seminário apresenta palestras com temas como violência de gênero facilitada pela tecnologia, ambientes seguros nas escolas e a apresentação de programas voltados à proteção de meninas e adolescentes, como o Por Elas e o Maria Vai à Escola.
Para os profissionais da rede estadual, o encontro contribui para ampliar a capacidade de identificar e lidar com situações de violência que muitas vezes passam despercebidas no cotidiano escolar.
“Esse momento é importante para nos preparar enquanto professores orientadores, porque é uma realidade que está dentro da nossa escola e, às vezes, não conseguimos perceber. E quando acontece, muitas vezes não sabemos como lidar”, afirmou a professora orientadora Maria Dalcijane Pereira, da Escola Estadual Venceslau Catossi, na Vila Apiaú, município de Mucajaí.
O secretário adjunto de Gestão do Sistema Educacional da Seed, Edson Mendonça, destacou que a temática precisa ser discutida de forma permanente dentro das escolas.
“Essa é uma temática muito importante e, infelizmente, faz parte da nossa realidade. A Secretaria de Educação e Desporto vai apoiar sempre iniciativas como essa, que ajudam a combater a violência no ambiente escolar e também fortalecem as redes de apoio”, afirmou.
Dados reforçam necessidade de prevenção
Dados apresentados durante o seminário apontam a dimensão do problema. Pesquisa realizada pela Associação Serenas em 2024 revelou que sete em cada dez professores já identificaram meninos fazendo comentários negativos ou sexualizando meninas nas escolas. O levantamento também mostrou que 17% dos educadores já presenciaram colegas de trabalho fazendo comentários machistas sobre o corpo de alunas.
Outro dado preocupante, apresentado com base em informações do Unicef, aponta que seis dos dez estados brasileiros com maiores índices de violência sexual contra crianças e adolescentes estão na Amazônia Legal. Já o Atlas da Violência 2025 indica que a escola aparece como o quinto local onde mais ocorrem casos de violência.
Para enfrentar essa realidade, a Associação Serenas atua com duas frentes principais: “Qualificar para acolher”, voltada à redução dos danos causados pela violência contra mulheres e meninas, e “Educar para prevenir”, que oferece formação para educadores.
“Este ano estamos com uma parceria com a Secretaria de Educação para ampliar a formação dos educadores por meio do curso Escolas On, Violências Off, disponível na plataforma Avamec (Ambiente Virtual de Aprendizagem do Ministério da Educação), que faz parte de um conjunto maior de ações dentro do Programa Por Elas”, explicou Graciela Santos, coordenadora de Políticas Educacionais da Associação Serenas.
Programa Por Elas – Protege RR
O Programa Por Elas – Protege RR foi criado pela Seed, por meio do Ceforr, para fortalecer ações de prevenção e enfrentamento da violência contra meninas no ambiente escolar, especialmente aquelas facilitadas pelo uso das tecnologias.
Entre as ações previstas estão seminários, webinários, formações continuadas para professores e produção de materiais educativos, como cartilhas e guias de orientação.
“A ideia é sensibilizar os educadores e, a partir disso, estimular que as próprias escolas desenvolvam atividades e debates sobre o tema. Mais adiante, pretendemos reunir essas experiências para fortalecer ainda mais a rede de proteção”, explicou a diretora do Ceforr, Stela Damas.
Segundo ela, a iniciativa também busca alcançar diferentes realidades do Estado. “Além da capital, queremos levar esse trabalho para comunidades indígenas e também abordar a realidade da imigração, que é uma característica importante de Roraima”, destacou.
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Fonte: Governo de Roraima


