Especialista explica como a combinação de fatores hormonais e sobrecarga social criam um cenário de alerta para a saúde mental feminina.
O Setembro Amarelo é um mês dedicado a chamar a atenção para a importância da saúde mental e, principalmente, para a prevenção ao suicídio. No Brasil, assim como em outros lugares do mundo, os dados mostram uma disparidade preocupante: as mulheres são diagnosticadas com transtornos mentais, como ansiedade e depressão, em uma frequência muito maior que os homens.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão já afeta cerca de 300 milhões de pessoas globalmente, e é a principal causa de incapacidade no mundo. Dentro desse cenário, pesquisas apontam que as mulheres são duas vezes mais propensas a desenvolverem esses quadros. Mas por que essa diferença é tão significativa? A resposta está em uma complexa combinação de fatores biológicos e sociais que criam um cenário de alerta para a saúde mental feminina.
A Dra. Jaqueline da Mata, especializada em saúde mental da mulher, explica que essa disparidade não acontece por acaso. “As flutuações hormonais ao longo da vida da mulher, como as que ocorrem no ciclo menstrual, na gravidez, no pós-parto e na menopausa, podem ter um impacto significativo no humor e na vulnerabilidade a transtornos mentais”, afirma. Ela destaca que as mudanças nos níveis de estrogênio e progesterona podem afetar neurotransmissores como a serotonina, que está diretamente ligada à regulação do humor. Isso, segundo a especialista, “cria um terreno biológico propício para o desenvolvimento de quadros depressivos e ansiosos”.
No entanto, o problema vai muito além da biologia. A sobrecarga social é um fator crucial, mas frequentemente invisibilizado. A especialista destaca que a mulher moderna, muitas vezes, é levada a acumular múltiplas jornadas: a profissional, a do cuidado com a casa e a família e, em muitos casos, a de cuidadora de idosos ou outros parentes. “Existe uma pressão cultural enorme para que a mulher seja perfeita em todas as suas funções. Ela precisa ser uma excelente profissional, uma mãe dedicada, uma parceira atenciosa e uma dona de casa impecável. Essa sobrecarga constante gera um estado de esgotamento mental e físico, que é um gatilho poderoso para o surgimento de transtornos como a ansiedade generalizada e a depressão”, pontua a médica.
Para a Dra. , é essencial que a sociedade reconheça e valide a realidade da saúde mental feminina. “É hora de desconstruir a ideia de que a mulher precisa ‘dar conta de tudo’. O primeiro passo é o autoconhecimento e a busca por ajuda especializada. Precisamos nos libertar da culpa e do estigma para conseguir cuidar de nós mesmas de forma integral. Falar sobre o assunto, principalmente neste Setembro Amarelo, é o caminho para que mais mulheres possam buscar o tratamento e o suporte de que precisam”, conclui.
Fonte: Dra. Jaqueline da Mata – médica com foco na saúde mental da mulher e pós-graduada em psiquiatria.


