
“É comum pensar que, diante do diagnóstico de demência, não há mais possibilidades de cuidado ou intervenção. No entanto, isso não corresponde à realidade: sempre há estratégias para promover qualidade de vida, conforto e bem-estar ao paciente e sua família”. A afirmação, do neurologista do Ambulatório de Especialidades Nelson Teixeira (Ambesp NT, Macuco), Thiago da Cruz, sintetiza bem a Campanha Setembro Lilás, de conscientização sobre a Doença de Alzheimer.
Na última quinta-feira (25), foi realizado o 1º Encontro de Setembro Lilás, no auditório da unidade. O evento busca capacitar os profissionais que atuam nas policlínicas para o atendimento eficiente e humanizado aos pacientes diagnosticados com Alzheimer e outras demências. Enfermeiros, fisioterapeutas, médicos, psicológicos e estagiários de diversas áreas da saúde foram instruídos pela equipe especializada da unidade.
“É com grande prazer e satisfação que recebemos as equipes de saúde hoje aqui no Ambesp NT. Trabalhar a questão do Setembro Lilás é importante para abordar a conscientização do Alzheimer e de outras demências” afirmou Nelize Dahmen, gerente geral do Ambesp.
A atenção aos pacientes acometidos com Alzheimer é um serviço realizado por equipes multidisciplinares, com terapeutas ocupacionais, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e médicos. As estratégias de cuidado visam manter a segurança e a saúde integral do paciente nas questões emocionais, físicas e psicológicas, trabalhando a autonomia e a redução dos estigmas que acometem o Alzheimer e outras demências.
A neuropsicóloga Corina Ribeiro destacou a importância de aproximar este diálogo com os grupos que atuam nas policlínicas, além de estreitar os laços com atenção especializada.
“Entender o diagnóstico e qual o fluxo de atendimento no nosso município é extremamente importante. Nós temos 14 fatores de risco — fatores que podem aumentar as chances de a doença aparecer no paciente —, e trabalhamos na perspectiva da prevenção, destacando como os hábitos saudáveis podem ajudar a reduzir significativamente o risco de desenvolver a doença ou retardar o seu aparecimento em até 45%”, explicou.
Ela apresentou dados que apontam que 75% das pessoas com demência em todo mundo não têm diagnóstico. Além disso, 62% dos profissionais da saúde em todo mundo acreditam que a demência é parte normal do envelhecimento, o que não é verdade. No Brasil, os dados mostraram que somente uma a cada três pessoas com demência recebem o diagnóstico.

‘Quem cuida de quem cuida?’
A neuropsicóloga contou sobre o grupo “Quem Cuida de Quem Cuida?”, que busca auxiliar os cuidadores desses idosos na questão psicológica e emocional. O projeto funciona como um grupo de apoio, formado por profissionais e outros cuidadores que podem se expressar e compartilhar angústias e dificuldades no cuidado à pessoa idosa acometida com a doença.
“A maioria dos cuidadores são mulheres também idosas, e que acabam negligenciando o próprio cuidado para cuidar do outro, gerando um grande nível de estresse, e se não oferecermos este apoio, podemos ter inclusive risco de maus-tratos. Nosso grupo vai fazer sete anos na próxima semana, e o nome ‘Quem Cuida de Quem Cuida?’ é propositalmente uma pergunta porque a gente precisa se questionar sobre a saúde desse cuidador”, explicou.
O grupo se reúne toda quinta-feira, às 10h, no Ambesp NT (Rua Manuel Tourinho, 395, Macuco) Todos os cuidadores do Município interessados podem participar da roda de conversa.
A profissional ainda pontuou a necessidade do atendimento humanizado sobre os pacientes com demência, que mesmo acometidos, ainda possuem seus próprios desejos, objetivos e sonhos, e ficam angustiados com as dificuldades e com a progressão da doença.
Esta iniciativa contempla o item 3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Saúde e Bem-Estar. Conheça os outros artigos dos ODS
Fonte: Prefeitura de Santos


