Especialista alerta que autocuidado, equilíbrio e acolhimento são fundamentais para quebrar o ciclo da sobrecarga
Elas cuidam de tudo e de todos: do trabalho, da casa, dos filhos, da família, do relacionamento, da aparência — e, muitas vezes, esquecem de cuidar de si mesmas. A chamada Síndrome da Mulher Maravilha representa exatamente essa realidade: o esgotamento invisível de mulheres que tentam dar conta de múltiplas funções ao mesmo tempo, sem espaço para pausas, falhas ou vulnerabilidades.
“Essa síndrome reflete um padrão de comportamento que exige da mulher um desempenho excelente em todas as áreas da vida, como se isso fosse natural. Essa pressão constante é desumana e traz consequências sérias para a saúde mental”, afirma a médica Jaqueline da Mata, pós-graduada em psiquiatria e especialista em saúde mental da mulher.
De acordo com matéria publicada pelo jornal O Globo, 86% das brasileiras relatam sentir uma carga excessiva de responsabilidades e 45% já possuem um diagnóstico de ansiedade, depressão ou outros transtornos emocionais, segundo pesquisa da ONG Think Olga. Ainda segundo o veículo, essa cobrança interna e externa pela perfeição faz com que as mulheres vivam em constante estado de estresse e frustração.
“Essa busca por perfeição não é só inalcançável — ela é cruel. Ela coloca a mulher em um ciclo de culpa e auto sabotagem, em que descansar parece pecado e pedir ajuda, sinal de fraqueza”, complementa a médica.
Pressões invisíveis, sintomas evidentes
A sobrecarga mental pode se manifestar por meio de insônia, irritabilidade, falta de concentração, alterações de humor e até crises de ansiedade e pânico. “Muitas mulheres não percebem que estão adoecendo emocionalmente, porque associam esses sintomas ao ‘normal’ da rotina. Mas a saúde mental não pode ser negligenciada”, alerta Dra. Jaqueline.
Para a especialista, é fundamental abrir espaço para o autocuidado, estabelecer limites e resgatar o direito de descansar. “A sociedade costuma exaltar a mulher que dá conta de tudo como uma heroína, mas é justamente esse modelo que precisa ser desconstruído. A verdadeira força está em reconhecer suas necessidades e buscar apoio.”
Autocompaixão é prioridade, não luxo
Dizer “não”, abandonar a busca pela perfeição e aceitar ajuda são passos importantes no processo de autocuidado. “É hora de parar de romantizar a exaustão feminina. Cuidar da própria saúde física e emocional não é egoísmo, é sobrevivência”, defende Dra. Jaqueline.
A médica finaliza com um recado para todas as mulheres que vivem sob essa pressão silenciosa: “Você não precisa dar conta de tudo. Você merece descansar, ser acolhida, ser imperfeita, e ainda assim ser suficiente.”
Fonte: Dra. Jaqueline da Mata – médica com foco na saúde mental da mulher e pós-graduada em psiquiatria.
Foto: Acervo Pessoal | Divulgação


