O que se viu nas ruas de São Paulo neste último final de semana não foi a celebração da cultura popular, mas o retrato de um crime anunciado contra a vida humana. A irresponsabilidade da organização do Carnaval de rua, aliada à omissão criminosa da Prefeitura de São Paulo, transformou a Rua da Consolação em um cenário de horror. Milhares de foliões foram prensados contra grades de contenção em um esmagamento humano que, por um milagre estatístico, ainda não contabilizou uma mortandade sem precedentes.
A Anatomia da Irresponsabilidade
Como é possível que o poder público tenha autorizado a saída de dois megablocos simultâneos no mesmo local? A conta é simples, mas a ganância parece ter atrofiado o raciocínio dos organizadores. Ao permitir que multidões gigantescas convergissem para um funil de ferro e concreto, os responsáveis assinaram o atestado de incompetência logística.
- Omissão da Prefeitura: Onde estava o planejamento de dispersão? Onde estavam os engenheiros de segurança da capital?
- O Bando de Gananciosos: Empresários do entretenimento, focados apenas no lucro dos patrocínios e camarotes, trataram o cidadão como gado, ignorando as normas básicas de segurança em eventos de massa.
O Folião como Vítima da Própria Ingenuidade
O paulistano foi ingênuo ao acreditar que a segurança estava garantida. O bando de empresários que coordena esses blocos não zelou por ninguém. O que vimos foram grades derrubadas pelo peso do desespero, pessoas sendo pisoteadas e o pânico se instalando em um local onde deveria haver alegria. A Prefeitura, que deveria ser a guardiã da ordem, foi a principal cúmplice deste massacre emocional e físico.
A Hora do Ministério Público
A tragédia, por ora sem um número fechado de feridos graves, não pode ser varrida para debaixo do tapete dos “incidentes de percurso”. O Ministério Público de São Paulo tem o dever moral e jurídico de apurar e punir exemplarmente quem autorizou esse evento.
Não se pode permitir que o Carnaval de rua se torne um campo de extermínio por pura negligência administrativa. É preciso penalizar os CPFs de quem deu a canetada final para esse absurdo.
Um Carnaval Manchado










O Carnaval de rua de São Paulo, que pretendia ser o maior do país, hoje é sinônimo de insegurança. O Estado falhou, a organização falhou e os patrocinadores se calaram diante do perigo. Se a justiça não agir agora contra essa organização temerária, a próxima manchete não será sobre tumultos, mas sobre o luto oficial de uma cidade que permitiu que o lucro valesse mais que a vida.
Prints da Folha de S. Paulo/UOL – reprodução


