SP|Polícia Civil intensifica proteção aos povos indígenas em Parelheiros

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Ação firme, acolhimento humano e informação transformadora garantem acesso real à rede de proteção e ao sistema de justiça Terça-feira, 25/11/2025 – 15h30 Por Amanda Ramos

A Polícia Civil de São Paulo ergueu uma barreira contra a violência que atinge os povos indígenas de Parelheiros, no extremo sul da capital. A iniciativa Juruá, conduzida pela 6ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), não é apenas um projeto: é um marco de resistência e cuidado, que oferece atendimento, acolhimento e orientação às comunidades indígenas — cerca de 3 mil pessoas distribuídas em 16 aldeias.

O objetivo é claro e contundente: romper barreiras históricas como a distância geográfica, as diferenças culturais, a desconfiança institucional e a subnotificação de casos de violência doméstica, sexual e institucional.

A delegada Monique Patrícia Ferreira Lima, titular da 6ª DDM, ressalta a importância da aproximação com as lideranças:

“Estamos fortalecendo vínculos por meio de visitas, rodas de conversa e atividades educativas. Essa relação de confiança já se traduz em mais registros de ocorrências e maior procura pelos serviços da DDM. As mulheres indígenas estão, cada vez mais, confiando na rede de proteção.”

Os resultados são palpáveis: cresce o número de registros de ocorrência envolvendo vítimas indígenas, sinalizando que o silêncio está sendo quebrado e que a confiança no sistema de justiça está em ascensão.

“Mesmo com variações nos números, o avanço é contínuo. Casos de violência doméstica e sexual, antes invisíveis, agora chegam às nossas mãos”, reforça a delegada.

Encontros e capacitação: a força da união

A ação é intersetorial e mobiliza saúde, educação e lideranças comunitárias. Profissionais de UBS, professores e agentes públicos recebem treinamento para identificar sinais de violência e agir com rapidez, inclusive utilizando a Delegacia Eletrônica.

Nas aldeias, a presença policial é marcada por encontros educativos, rodas de conversa, jogos e teatro — ferramentas que traduzem direitos em linguagem acessível e respeitosa. Periodicamente, a equipe retorna às comunidades para oferecer assistência direta e orientar mulheres, consolidando a confiança construída.

“Nada disso seria possível sem o diálogo com as lideranças”, enfatiza Monique. Hoje, são elas próprias que acionam a Polícia Civil para registros, palestras e orientações.

Um marco de transformação

Mais que uma ação policial, o projeto Juruá é um símbolo de respeito aos direitos humanos e de promoção da justiça. Ele prova que, com sensibilidade cultural e integração de forças, é possível derrubar muros históricos e construir pontes sólidas entre comunidades tradicionais e o Estado.

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