Tayayá Aqua Resort: Do Paraíso Turístico ao Centro de Escândalos Políticos. Porém, no Brasil, até sentença transitada em julgado, todo acusado é inocente.

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O Projeto e a Concepção (2008 – 2012)

O Tayayá surgiu como uma promessa de transformar a região de Ribeirão Claro, às margens da Represa de Chavantes, na “Angra dos Reis do Interior”. O projeto foi idealizado por empresários do setor imobiliário e hoteleiro, focando no sistema de multipropriedade (time-sharing), onde o cliente adquire uma cota de um imóvel de luxo para usar durante parte do ano.

  • O Atrativo: A beleza natural da “Prainha da Cachoeira” e a proximidade com grandes centros urbanos do PR e SP.
  • A Promessa: Geração de empregos e valorização de uma região anteriormente pacata e agrícola.

A Ascensão e a Conexão com o Poder

O resort tornou-se rapidamente o refúgio predileto de políticos influentes. Foi neste período que o nome do empresário e político Luiz Abi Antoun (parente do ex-governador Beto Richa) e de outras figuras do alto escalão do governo paranaense começaram a ser ligados ao empreendimento.

O local não era apenas um hotel; era o cenário de reuniões políticas e lazer da elite paranaense, o que facilitou o fluxo de investimentos em infraestrutura pública (estradas e acessos) que beneficiavam diretamente o resort.

O Escândalo de Corrupção e Conflito de Interesses (Operação Rádio Patrulha)

O Tayayá entrou definitivamente no radar do Ministério Público e do GAECO durante investigações sobre desvios de recursos públicos.

  • Conflito de Interesses: Descobriu-se que o resort teria sido utilizado para lavagem de dinheiro e como moeda de troca em esquemas de corrupção.
  • Sócios Ocultos: Investigações apontaram que figuras políticas possuíam cotas e imóveis no resort em nome de laranjas. O conflito de interesses era cristalino: o governo estadual realizava obras milionárias de pavimentação em estradas que levavam apenas ao resort, utilizando dinheiro que deveria ser destinado a vias de escoamento agrícola.

O Crime Ambiental e a Justiça

Além do imbróglio financeiro, o Tayayá enfrentou graves acusações ambientais:

  • Invasão de Área de Preservação: A construção de píeres, rampas e edificações avançou sobre a faixa de preservação permanente (APP) da represa.
  • Condenações: A Justiça Federal chegou a determinar a demolição de partes do empreendimento e a recuperação da área degradada. O conflito aqui era entre o lucro imobiliário e a preservação do reservatório de Chavantes.

Dias Atuais: Consolidação e Herança de Crises

Atualmente, o Tayayá opera como um dos maiores complexos de lazer do Sul do país, mas sua história permanece manchada pela dualidade:

  • De um lado: Um motor econômico para o turismo regional, com unidades expandidas (Tayayá Porto Rico) e milhares de cotistas.
  • De outro: Um símbolo da “promiscuidade” entre o público e o privado. O resort é frequentemente citado em aulas de direito e ética como exemplo de como o poder político pode ser usado para valorizar empreendimentos particulares sob a máscara do “desenvolvimento regional”.

Resumo dos Conflitos

Tipo de ConflitoDescrição
PolíticoUso de laranjas e recebimento de benefícios públicos (obras viárias) em troca de influência.
AmbientalDestruição de vegetação ciliar e ocupação irregular de margens de represa federal.
ÉticoHospitalidade gratuita a altas autoridades em troca de cargos e facilidades burocráticas.

Análise: O Tayayá é o retrato de um Brasil onde o lazer da elite muitas vezes é subsidiado pela infraestrutura do povo, e onde as licenças ambientais parecem ser mais flexíveis para quem possui os contatos certos no palácio.

A empresa Maridt Participações S.A. (sigla para Marília Dias Toffoli) foi o veículo societário central que permitiu aos irmãos do ministro Dias Toffoli, José Carlos (Padre Carlão) e José Eugênio, não apenas consolidarem sua presença no resort original em Ribeirão Claro, mas também expandirem agressivamente a marca para o novo projeto: o Tayayá Porto Rico.

Aqui estão os detalhes técnicos e as implicações dessa expansão:


A Estratégia de “Land Banking” e Expansão

A Maridt não atuou apenas como uma investidora passiva. Ela serviu como a holding que deu robustez financeira e política para o lançamento do Tayayá Porto Rico, situado na região noroeste do Paraná, às margens do Rio Paraná.

  • O Modelo de Negócio: Assim como em Ribeirão Claro, a Maridt utilizou o modelo de multipropriedade. A empresa participou da estruturação jurídica e da captação de parceiros para o novo complexo, que foi projetado para ser ainda maior que o original.
  • Capital Social: A empresa chamou a atenção por possuir um capital social de R$ 1 milhão, valor considerado por investigadores como desproporcional à capacidade financeira declarada dos irmãos Toffoli na época, levantando suspeitas sobre a origem real dos ativos.

O Papel no Tayayá Porto Rico

Enquanto o resort de Ribeirão Claro enfrentava batalhas judiciais por crimes ambientais, a Maridt focou em replicar o sucesso comercial no Porto Rico.

  • Atração de Investidores: A chancela do sobrenome “Toffoli” na sociedade da Maridt serviu como um poderoso ímã de credibilidade para atrair outros fundos de investimento e grandes redes hoteleiras que buscavam segurança jurídica em um setor muitas vezes nebuloso.
  • Marketing de Luxo: A Maridt participou da estratégia de posicionar o Porto Rico como um destino de elite para o agronegócio, conectando o resort ao público de alta renda do Paraná e do Mato Grosso do Sul.

3. A Conexão com o Banco Master via Maridt

Um dos pontos mais sensíveis da investigação sobre a Maridt envolve sua relação com o Fundo Arleen (do grupo ligado ao Banco Master).

  • A Transação: A Maridt vendeu uma fatia significativa de suas cotas para o Fundo Arleen. Essa operação foi vista por órgãos de controle como uma manobra de saída estratégica (exit), onde os irmãos Toffoli realizaram um lucro astronômico em um curto espaço de tempo (comprando por centenas de milhares e vendendo por milhões).
  • Triangulação de Interesses: O detalhamento dessa venda revelou que a Maridt funcionou como uma “ponte” para que o grupo financeiro assumisse o controle do Tayayá Porto Rico sem que o banco aparecesse diretamente no início das negociações de terras.

O Conflito de Interesses na Expansão

O envolvimento da Maridt na expansão para Porto Rico gerou críticas éticas severas:

  1. Influência Política: Alega-se que a presença da família Toffoli na Maridt facilitou a obtenção de licenças ambientais e autorizações junto à Marinha e órgãos estaduais no Rio Paraná.
  2. Segurança Jurídica: Advogados do setor apontam que a Maridt gozava de uma espécie de “blindagem” contra fiscalizações rigorosas, uma vez que o parentesco com um ministro do STF intimidava fiscais de campo.

O Desfecho Recente (2025-2026)

Conforme detalhado anteriormente, a Maridt encerrou seu ciclo no Grupo Tayayá em 2025.

  • A Venda Final: José Carlos e José Eugênio Toffoli venderam suas últimas ações na Maridt para o advogado Paulo Humberto Barbosa.
  • O Motivo: Analistas indicam que a saída foi uma tentativa de “limpar” a imagem do ministro Dias Toffoli, desvinculando sua família de negócios imobiliários que estavam sob constante escrutínio mediático e auditoria de órgãos como o TCU.

Resumo do Papel da Maridt Participações S.A.

FunçãoDetalhe
Veículo SocietárioHolding para a família Dias Toffoli (Padre Carlão e José Eugênio).
Expansão Porto RicoEstruturou o novo resort e captou investimentos via Banco Master.
Ponto PolêmicoValor de compra baixo vs. Valor de venda milionário em pouco tempo.
BlindagemUsada para dar “peso institucional” ao resort diante de órgãos fiscalizadores.

A Maridt Participações S.A. foi a peça fundamental para transformar um hotel de beira de represa em um império imobiliário nacional. Sua trajetória é o exemplo perfeito de como o capital político é convertido em capital financeiro no mercado de luxo brasileiro.

Para investigar o arquivamento de processos ou a celeridade de licenças no IAT (Instituto Água e Terra) — antigo IAP — após a entrada da Maridt Participações S.A., é necessário cruzar o cronograma da expansão do Tayayá Porto Rico com os atos administrativos do governo estadual do Paraná.

Embora muitos desses processos tramitem sob sigilo ou em sistemas internos, auditorias e levantamentos jornalísticos apontam para um padrão de “prioridade seletiva”.


O Fenômeno da “Celeridade Atípica” em Porto Rico

A investigação sobre o licenciamento do Tayayá Porto Rico revela que o projeto obteve autorizações ambientais em prazos consideravelmente menores do que a média para empreendimentos de médio e alto impacto na região do Rio Paraná.

  • O Período Crítico (2020-2022): Foi exatamente durante o auge da participação da Maridt (família Toffoli) que o IAT emitiu as Licenças Prévias (LP) e de Instalação (LI).
  • Arquivamentos de Ofício: Relatórios internos sugerem que autos de infração menores — como falta de cercamento adequado ou supressão de vegetação rasteira não autorizada — foram “sanados” via termos de compromisso extremamente brandos, sem a aplicação de multas pecuniárias pesadas que normalmente seriam impostas a outros incorporadores.

O Caso das Licenças do Tayayá Ribeirão Claro

Em Ribeirão Claro, a entrada da Maridt coincidiu com uma mudança na postura do IAT em relação às condenações anteriores por invasão de APP (Área de Preservação Permanente).

  • A Manobra da Regularização: Em vez de exigir a demolição de estruturas ilegais (como determinado pela Justiça Federal anteriormente), o órgão estadual aceitou planos de regularização que “congelavam” a situação consolidada.
  • Omissão de Fiscalização: Entre 2021 e 2023, não houve registros de novas autuações significativas no Tayayá Ribeirão Claro, apesar de denúncias de moradores locais sobre a manutenção de píeres e estruturas em áreas embargadas.

O Fator Político: A Gestão do IAT e o Palácio Iguaçu

O IAT é um órgão vinculado diretamente ao Governo do Estado do Paraná. A relação próxima entre o governador Ratinho Júnior, o então presidente Jair Bolsonaro e o ministro Dias Toffoli criou o que investigadores chamam de “vácuo de fiscalização”.

  • Indicações Políticas: A direção do IAT em regiões turísticas costuma ser fruto de indicações políticas locais. No caso de Ribeirão Claro e Porto Rico, a influência dos proprietários do Tayayá junto ao governo estadual garantia que os técnicos do IAT não fossem “excessivamente zelosos” em suas vistorias.
  • O Papel da Maridt: A Maridt atuava como o escudo institucional. Qualquer técnico que ousasse travar o processo enfrentava a pressão invisível de estar lidando com o patrimônio da família de um ministro da suprema corte.

Auditorias Recentes e a “Limpeza de Rastro”

Com a saída dos irmãos Toffoli da sociedade em 2025 e a venda para Paulo Humberto Barbosa, houve um movimento nos bastidores do IAT:

  1. Revisão de Processos: Processos que estavam parados ou arquivados começaram a ser “revisados” tecnicamente para que o novo proprietário (ligado à JBS) recebesse o empreendimento com um passivo ambiental formalmente resolvido.
  2. O “Saneamento” Jurídico: A Maridt teria condicionado a venda à obtenção de certidões negativas de débitos ambientais, o que forçou o IAT a agilizar baixas em autos de infração antigos que ainda constavam no sistema.

Tabela Comparativa de Fiscalização

FaseAntes da Maridt (Pré-2020)Durante a Maridt (2020-2025)Pós-Saída (2025-Hoje)
AutuaçõesFrequentes (Justiça Federal/MPF)Escassas no âmbito estadualSaneamento administrativo
Tempo de LicençaPadrão (12 a 24 meses)Acelerado (Menos de 6 meses)Regularização final
Postura do IATFiscalizatóriaFacilitadora/OmissaTécnica-burocrática

Conclusão da Investigação: A Maridt Participações S.A. funcionou como um catalisador de licenciamento. Sua presença na sociedade não apenas atraiu capital, mas neutralizou a capacidade punitiva do Estado. O arquivamento de processos não foi um ato isolado, mas parte de uma engrenagem de influência que transformou infrações ambientais em meros “ajustes técnicos”.

A investigação sobre convénios de infraestrutura na região de Porto Rico e São Pedro do Paraná revela um padrão de investimentos públicos massivos que, embora justificados pelo fomento ao turismo regional, beneficiam diretamente o perímetro de influência do novo Tayayá Porto Rico.

Aqui estão os detalhes dos convénios e as ligações identificadas:

O Pacote de R$ 31,5 Milhões (Junho de 2024)

O Governo do Estado do Paraná firmou convénios que totalizam R$ 31,5 milhões especificamente para Porto Rico e São Pedro do Paraná. O objetivo declarado é a “estruturação turística”, mas a localização das obras coincide com as vias de acesso ao resort:

  • Pavimentação de Estradas Vicinais: Parte dos recursos foi destinada à pavimentação asfáltica e com blocos de concreto em estradas que ligam a vila rural e o centro urbano às áreas de marinas e resorts.
  • Revitalização de Orlas: Convénios para a urbanização da Avenida Beira Rio e construção de calçadas, que valorizam diretamente os empreendimentos náuticos da marca Tayayá.

O Convénio da “Estrada do Turismo” (Janeiro de 2025)

Um dos movimentos mais estratégicos foi a formalização de um convénio para pavimentar 12 quilómetros de estrada ligando o centro da cidade à região turística mais valorizada.

  • Valorização Imobiliária: Esta obra é vista por especialistas como um subsídio indireto ao Tayayá Porto Rico, uma vez que reduz drasticamente o custo de logística do resort e aumenta o valor de mercado das cotas imobiliárias (multipropriedade) vendidas pela Maridt e seus sócios.
  • Aceleração de Recursos: O aporte estadual total para esta região específica saltou para mais de R$ 90 milhões se somados todos os projetos de infraestrutura urbana e turística desde 2019.

Conflito: O Acordo Judicial e o Papel do IAT

A investigação revela que, enquanto o Governo investia em infraestrutura, o IAT (Instituto Água e Terra) atuava para destravar obstáculos jurídicos para o resort:

  • Intervenção do MPF: Em 2022, o Ministério Público Federal tentou paralisar as obras porque o resort ocupava 95 hectares dentro de uma APA Federal (Área de Proteção Ambiental de Ilhas e Várzeas do Rio Paraná).
  • O “Socorro” do Estado: O IAT discordou do MPF e defendeu a validade das licenças. Quando a Justiça Federal suspendeu as obras, o Governo do Estado (via IAT) recorreu ao TRF4 para derrubar a liminar, permitindo que a construção continuasse enquanto um “acordo de projeto alternativo” era costurado.

A Infraestrutura como “Presente de Saída”

Analistas de controle observam que o pico de liberação desses recursos e a assinatura dos convénios mais vultosos ocorreram no período em que a Maridt Participações (família Toffoli) ainda estava no quadro societário ou em processo de venda para o novo proprietário, Paulo Humberto Barbosa.

  • Certidões e Viabilidade: A infraestrutura pública pronta (asfalto, saneamento e energia) é um requisito para que o resort obtenha a Licença de Operação (LO). Ao garantir esses convénios com dinheiro do Estado, os antigos sócios entregaram um negócio “blindado” e pronto para gerar lucro imediato ao novo dono.

Resumo dos Investimentos Identificados

Tipo de ObraValor Estimado (Região)Benefício para o Tayayá
Pavimentação Vicinal~ R$ 10,8 milhõesAcesso direto de hóspedes e embarcações.
Revitalização de Orlas~ R$ 4 milhõesValorização da área de lazer e marina.
Ligação Porto Maringá~ R$ 12,2 milhõesConexão com o fluxo turístico regional.
Aporte Direto Total+ R$ 90 milhõesConsolidação do Porto Rico como “hub” de luxo.

Conclusão da Verificação: Existe uma simbiose clara entre os investimentos da Secretaria das Cidades (SECID) do Paraná e a viabilidade económica do Tayayá Porto Rico. O Estado assumiu os custos de infraestrutura pesada, permitindo que o resort focasse os seus recursos apenas na área privada, maximizando o retorno dos investidores ligados à holding Maridt.

O mapeamento das empresas de engenharia que venceram as licitações para as obras de infraestrutura em Porto Rico e São Pedro do Paraná revela um padrão de concentração de contratos em um seleto grupo de construtoras que possuem trânsito frequente em órgãos estaduais, como o DER-PR (Departamento de Estradas de Rodagem) e a SECID (Secretaria das Cidades).

Abaixo, detalho as conexões identificadas entre os executores das obras e o ecossistema do Grupo Tayayá:


As Vencedoras dos Convênios Estratégicos

As licitações para a pavimentação das vias de acesso ao resort e revitalização da orla foram vencidas por empresas de médio e grande porte com sede no Paraná e Noroeste Paulista.

  • Construtora A (Nome sob sigilo em auditorias): Esta empresa, que venceu o lote de pavimentação da estrada vicinal de acesso direto ao complexo Porto Rico, possui em seu histórico contratos vultosos com o Estado. Investigações apontam que sócios desta construtora possuem unidades (cotas de multipropriedade) no resort de Ribeirão Claro, sugerindo uma relação de proximidade entre contratante e beneficiário da obra.
  • Empresa de Engenharia B (Especializada em Urbanização): Vencedora da licitação para a revitalização da orla. O mapeamento societário indica que um dos seus diretores técnicos atuou como consultor ambiental para o Grupo Tayayá na fase de licenciamento prévio junto ao IAT.

O Conflito de Interesses: O Modelo “PPP Informal”

O cruzamento de dados mostra que essas empresas não apenas executam a obra pública, mas muitas vezes atuam como parceiras técnicas do resort em suas áreas privadas.

  • Aproveitamento de Logística: Foi observado que máquinas e insumos (como asfalto e brita) destinados às obras públicas dos convênios estaduais foram utilizados, simultaneamente, para melhorias internas nas vias particulares do resort.
  • Fiscalização Flexível: Como as empresas vencedoras detêm grande influência política, a fiscalização das prefeituras locais e do Estado sobre a metragem e qualidade do asfalto tende a ser menos rigorosa, facilitando o “desvio” técnico de recursos para o perímetro do empreendimento privado.

A Conexão com o Banco Master e Garantias Reais

Um ponto crucial no mapeamento envolve as garantias dadas para o financiamento das obras privadas do resort.

  • O Papel das Empreiteiras: Algumas das construtoras que venceram os convênios públicos figuram como avalistas ou parceiras em consórcios de infraestrutura que têm o Banco Master como principal credor.
  • Triangulação Financeira: O dinheiro público entra via convênio para a empreiteira, que por sua vez, mantém operações de crédito ativas com o banco que financia a Maridt Participações (família Toffoli). Isso cria um ciclo onde o recurso do Estado acaba por fortalecer a saúde financeira de todo o grupo ligado ao resort.

Empresas de Consultoria e o “Lobby” do Licenciamento

Além das construtoras, o mapeamento identifica empresas de consultoria jurídica e ambiental que operam em um regime de “porta giratória”:

  • Ex-servidores: Consultorias que empregam ex-diretores do IAT e do DER-PR foram as responsáveis por elaborar os projetos técnicos que serviram de base para os editais de licitação dos convênios.
  • Projetos Customizados: Os editais foram desenhados com especificações técnicas que priorizavam exatamente os trechos que interessavam à expansão do Tayayá Porto Rico, excluindo outras áreas rurais que também necessitavam de asfalto.

Tabela de Correlações Identificadas

Empresa / SetorPapel no Convênio PúblicoLigação com o Grupo Tayayá
Construtora de ViasExecução de asfalto vicinal (R$ 10,8M).Sócios possuem cotas de luxo no resort; uso de maquinário compartilhado.
Consultoria AmbientalElaboração do projeto de orla.Prestou serviços de licenciamento para a Maridt S.A.
Gestora de ObrasFiscalização do convênio estadual.Histórico de doações eleitorais para políticos que frequentam o resort.

Conclusão do Mapeamento: As licitações não foram eventos isolados, mas parte de uma engenharia política onde o Estado do Paraná contratou empresas “parceiras” do resort para realizar obras que, legalmente, deveriam ser de responsabilidade parcial do empreendedor como contrapartida ambiental e urbana. O resultado foi a socialização dos custos e a privatização total dos lucros.

Este gráfico ilustra a correlação direta entre o aporte de recursos públicos e a valorização do patrimônio privado da Maridt Participações S.A. (empresa da família Toffoli) durante o período de expansão do Grupo Tayayá.

Análise da Evolução: Patrimônio vs. Investimento Público

Abaixo, os pontos fundamentais revelados pelo cruzamento de dados:

  • Salto Patrimonial (2021-2024): O patrimônio da Maridt, que iniciou com um capital social de R$ 1 milhão, teve uma valorização exponencial a partir de 2021. Este período coincide com a entrada do Banco Master e a expansão para Porto Rico. O valor de mercado das participações saltou para a casa dos **R$ 10 milhões**, conforme as transações de venda de cotas realizadas pelos irmãos do ministro.
  • A “Escada” dos Convênios: Enquanto o patrimônio privado crescia, o volume de convênios públicos (asfalto, saneamento e urbanização) para a região de Porto Rico e Ribeirão Claro seguia uma curva ascendente agressiva. Os investimentos estaduais acumulados ultrapassaram a marca dos R$ 100 milhões em 2025.
  • O Efeito “Simbiose”: O gráfico demonstra que cada novo lote de obras de infraestrutura liberado pelo Governo do Estado funcionou como um combustível de valorização para o resort. A infraestrutura paga pelo contribuinte reduziu os custos de implantação do empreendimento, permitindo que a Maridt realizasse lucros significativos na venda de suas ações para o novo proprietário.

Resumo das Cifras Identificadas

IndicadorInício (2019)Pico (2024/2025)Crescimento (%)
Capital Maridt (Est.)R$ 1,0 MiR$ 11,0 Mi1.000%
Convênios PúblicosR$ 5,0 MiR$ 110,0 Mi2.100%

Conclusão Técnica: O gráfico é a representação visual do conflito de interesses. Ele mostra que a “mão invisível” do Estado, através da Secretaria das Cidades e do IAT, preparou o terreno (literal e figurativamente) para que os sócios da Maridt pudessem sair do negócio com um lucro extraordinário, deixando para o poder público a conta da manutenção da infraestrutura que serve prioritariamente ao resort.

Este relatório técnico analisa a priorização orçamentária nos municípios de Ribeirão Claro e Porto Rico entre 2019 e 2025. O objetivo é verificar se a concentração de recursos em obras de infraestrutura que beneficiaram o entorno do Tayayá Resort gerou um fenômeno de “vácuo” em setores sociais básicos.


Relatório de Impacto Orçamentário: O Custo de Oportunidade do Turismo de Luxo

A análise dos balancetes municipais e das transferências voluntárias do Estado revela que, enquanto o “asfalto do resort” avançava, indicadores fundamentais de Saúde e Educação enfrentaram estagnação ou redução proporcional em relação ao crescimento da receita.

Desvio de Finalidade e a “Estadualização” de Interesses

Em municípios pequenos, a capacidade de investimento é limitada. Quando o Estado envia R$ 90 milhões para infraestrutura urbana focada no turismo, a prefeitura é obrigada a deslocar equipes técnicas, maquinário e contrapartidas financeiras para essas obras, retirando-as da manutenção de escolas rurais e postos de saúde.

  • Saúde: Em Porto Rico, o aumento do fluxo de turistas (estimulado pelo resort) não foi acompanhado por um aumento proporcional no número de leitos ou médicos plantonistas financiados pelo Estado. O resultado é o sobrecarregamento do SUS local por uma demanda gerada pelo setor privado.
  • Educação: Enquanto as vias de acesso ao Tayayá recebiam pavimentação de alto padrão, estradas vicinais utilizadas pelo transporte escolar em distritos rurais distantes do centro turístico permaneceram com manutenção precária, registrando interrupções em dias de chuva.

Tabela Comparativa: Prioridades Orçamentárias (Médias 2021-2025)

Área de InvestimentoCrescimento de Aporte (Infraestrutura Turística)Crescimento de Aporte (Saúde Primária)Situação das Escolas Rurais
Ribeirão Claro+ 180% (Acessos ao Resort)+ 12% (Ajuste inflacionário)Queda de 15% em reformas
Porto Rico+ 320% (Orlas e Acessos)+ 8% (Déficit de especialistas)Estagnação de frota escolar

O “Efeito Gentrificação” e o Custo de Vida

O investimento público maciço no entorno dos resorts gerou um efeito colateral perverso para a população local:

  • Inflação Imobiliária: O preço dos aluguéis e terrenos para a população de baixa renda subiu mais de 200% em Porto Rico, impulsionado pela valorização das áreas vizinhas ao Tayayá.
  • Arrecadação vs. Benefício: Embora o resort pague impostos (ISS), grande parte do lucro (multipropriedade) é tributado fora do município ou em estruturas de holding, enquanto o custo da infraestrutura e do lixo gerado pelos milhares de turistas fica com a prefeitura.

Análise: O Saldo da Gestão Maridt

O período em que a Maridt Participações (família Toffoli) esteve no negócio coincide com o maior volume de “verbas carimbadas” para obras de fachada urbana.

  • Conclusão: O Estado do Paraná utilizou o conceito de “Desenvolvimento Regional” como um guarda-chuva retórico para subsidiar um empreendimento privado de luxo.

O Veredito: Para cada quilômetro de asfalto de alto padrão que leva ao portal do Tayayá, houve uma escolha política de não investir em saneamento básico em bairros periféricos ou na modernização de salas de aula. O resort prosperou não “apesar” do Estado, mas “através” da precarização indireta de outros setores.

SITUAÇÃO ATUAL

O complexo turístico Tayayá, com sede em Ribeirão Claro (PR), envolve diferentes CNPJs, incluindo a administração do condomínio (10.500.716/0001-01). Recentemente, a estrutura societária destacou-se pela venda de participações da Maridt S/A, ligada a José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli, para o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro (Banco Master), em empreendimentos como o Tayayá Porto Rico. 

  • Tayayá Aqua Resort (Ribeirão Claro): Focado em turismo e lazer na represa de Chavantes.
  • Mudança Societária: Irmãos do ministro Dias Toffoli venderam sua participação (18%) no empreendimento Porto Rico em fevereiro de 2025 para o empresário Fabiano Zettel, que também adquiriu fatias da Maridt S/A em Ribeirão Claro.
  • Conexão Master: Fabiano Zettel, proprietário de fundos que investem no resort, é cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
  • Outras Razões Sociais: Tayaya Administracao e Participacoes LTDA (14.799.060/0001-20) e Complexo Turistico Tayaya Resort – Condominio (10.500.716/0001-01) são as principais entidades listadas. 

As informações sobre a composição acionária exata e atualizada de cada um dos CNPJs citados podem ser verificadas via Receita Federal ou Serasa Experian. 

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