Terceirização das praças em Marília: concessão ou abandono das políticas públicas?

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A recente aprovação da lei que permite a concessão de praças públicas de Marília para exploração comercial por food trucks e trailers levanta sérias dúvidas sobre os rumos da gestão urbana e ambiental da cidade. O projeto, apresentado como uma solução para revitalizar espaços públicos, soa no mínimo estranho — e revela, na prática, um recuo preocupante do poder público diante de sua responsabilidade constitucional de preservar e cuidar dos bens coletivos.

Ao transferir a gestão das praças para a iniciativa privada, a Prefeitura parece abdicar de seu papel como guardiã do meio ambiente urbano e da qualidade de vida da população. O que deveria ser espaço de lazer, convivência e natureza, corre o risco de se transformar em ponto de consumo, com interesses comerciais se sobrepondo às demandas da comunidade.

Mais grave ainda é a ausência de diálogo com a população. Não houve consulta pública ampla, nem transparência sobre os critérios de concessão, os impactos ambientais ou os limites de uso desses espaços. A quem interessa essa privatização disfarçada? E a que preço?

Enquanto moradores enfrentam a escassez de áreas verdes bem cuidadas, a Prefeitura opta por terceirizar a solução, ignorando políticas públicas de urbanismo responsivo e sustentabilidade. O projeto escancara o abandono da gestão ambiental e revela uma lógica de comodidade administrativa: em vez de investir em manutenção, fiscalização e planejamento, transfere-se a responsabilidade — e, com ela, o controle.

É preciso questionar: quem ganha com isso? E quem perde o direito de usufruir plenamente dos espaços que deveriam ser de todos?

Foto: Mauro Abreu

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