Verba pública milionária para ônibus elétrico em Marília: quem ganha com isso?

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O governo federal acaba de liberar R$ 17,8 milhões para empresas concessionárias de transporte público em Marília, supostamente para a compra de ônibus menos poluentes. A medida, anunciada como avanço ambiental e modernização da frota, levanta mais dúvidas do que certezas — especialmente em uma cidade onde o serviço de transporte coletivo é alvo constante de reclamações e onde o modelo de concessão está prestes a mudar.

Dinheiro público, benefício privado?

A empresa beneficiada receberá quase R$ 20 milhões. Mas quem garantiu esse recurso? Qual foi o critério de escolha? Enquanto pequenos e médios empresários da cidade enfrentam barreiras quase intransponíveis para acessar crédito, uma concessionária com histórico de serviço deficitário é contemplada com verba milionária. O contraste é gritante.

Concessão em xeque

A própria Emdurb estuda um novo modelo de concessão. Se a empresa perder o contrato, onde serão encaixados os ônibus elétricos adquiridos com dinheiro público? Serão revendidos? Encostados? Repassados a outra empresa? A falta de transparência sobre o destino dos veículos e sobre o plano de investimento real acende o alerta.

Serviço precário, fortuna garantida

A população mariliense convive com atrasos, superlotação, falta de acessibilidade e linhas insuficientes. Mesmo assim, a empresa que presta esse serviço — alvo de queixas recorrentes — será premiada com uma fortuna ao fim da concessão. É o paradoxo da gestão pública: quem entrega pouco, recebe muito.

Política ou contradição?

O investimento vem do governo federal, liderado pelo presidente Lula, justamente em uma cidade onde 95% da população votou contra ele. Marília, que expressa rejeição explícita ao atual governo, agora recebe um dos maiores aportes do PAC. O chefe do executivo municipal sequer menciona o nome do presidente — mas não hesita em aceitar os recursos.

Marília precisa de transporte público digno, não de maquiagem verde. Precisa de transparência, não de favores obscuros. Precisa de investimento com responsabilidade, não de verba sem destino.

A população merece saber: quem está por trás desse recurso? Quem realmente se beneficia? E, principalmente, quem vai fiscalizar se o dinheiro será investido como prometido?

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