Legenda: caricatura hipotética que lembra viagens de pessoas
Enquanto Marília enfrenta desafios reais na saúde, na infraestrutura e nos serviços públicos, parte da Câmara Municipal parece viver em um mundo paralelo. Um levantamento sobre os gastos com viagens de vereadores escancara um cenário que ultrapassa o razoável e entra no campo do escárnio com o dinheiro público.
Somadas, as viagens realizadas por parlamentares da cidade já alcançam 94 mil quilômetros rodados — distância suficiente para dar duas voltas e meia ao redor do planeta Terra. Tudo isso bancado pelo contribuinte mariliense.
O custo é ainda mais chocante: os vereadores podem usufruir de até R$ 160 mil por mês em despesas com viagens, o que projeta um gasto anual de aproximadamente R$ 1,4 milhão. Um valor incompatível com a realidade de uma cidade que luta para manter serviços básicos funcionando.
Entre os 17 vereadores, chama atenção o desempenho de duas vereadoras, que figuram entre as que mais “maratonaram” viagens, levantando questionamentos inevitáveis sobre a real necessidade, efetividade e retorno dessas agendas para a população.
O ápice do absurdo foi registrado em uma única viagem a Brasília, onde três vereadores, acompanhados de comitiva, consumiram R$ 17 mil em recursos públicos. Um recorde que simboliza o descontrole e a falta de critério no uso do dinheiro da cidade.
O discurso é sempre o mesmo: “buscar recursos”, “articular projetos”, “defender Marília”. Mas onde estão os resultados concretos? Onde estão as obras, os investimentos, as melhorias visíveis que justifiquem tamanha farra aérea e rodoviária?
Para a população, o sentimento é de indignação. Para Marília, o episódio é uma vergonha institucional. Em tempos de sacrifício imposto ao cidadão comum, ver representantes eleitos tratando o orçamento público como passaporte ilimitado é um desrespeito inaceitável.
A pergunta que fica é simples e incômoda: quem fiscaliza os fiscalizadores?
Porque, do jeito que está, Marília paga a conta — e os vereadores carimbam o passaporte.


