O relatório do deputado Paulinho da Força, relator do projeto de anistia na Câmara, é mais do que uma proposta legislativa — é um alerta vermelho para a democracia brasileira. A ideia de votar o texto já na próxima semana, como ele mesmo afirmou em entrevista ao UOL, revela uma pressa perigosa para apagar da história recente um dos episódios mais graves de ataque às instituições: os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Sob o pretexto de “pacificar o país”, o relator articula com bancadas de centro e direita, além de governadores, para construir um consenso que, na prática, abre caminho para a impunidade. A anistia, mesmo que “não ampla”, como ele tenta suavizar, representa um retrocesso institucional profundo — e uma afronta direta ao Estado de Direito.
😶 SOCIEDADE OMISSA, CLASSE TRABALHADORA ALIENADA
Enquanto isso, a sociedade parece anestesiada. A classe trabalhadora, que deveria estar na linha de frente da defesa democrática, segue alienada, vivendo como se não houvesse amanhã. Empresários, líderes sindicais e cidadãos comuns assistem à escalada da anistia com indiferença estarrecedora, como se o retorno de milhares de extremistas às ruas não representasse risco algum.
Essa omissão coletiva é o terreno fértil para que novas arruaças sejam promovidas, e para que o golpe — aquele que falhou em 2023 — seja consumado em capítulos futuros. A democracia não morre com tanques nas ruas, mas com o silêncio cúmplice de quem deveria defendê-la.
ANISTIA É UM PRECEDENTE PERIGOSO
O relatório é, sim, um soco na cara do povo brasileiro. E o mais grave: poucos parecem se importar. A anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro não é apenas uma decisão jurídica — é uma mensagem política. Ela diz que é possível atacar o STF, invadir o Congresso, destruir patrimônio público e, depois, ser perdoado em nome da “pacificação”.
Se esse projeto for aprovado, abre-se a porta para cogitar, sim, um governo autoritário, como nos tempos da ditadura. E quem ousar dizer que isso é exagero, que olhe para a história: todo regime autoritário começou com o perdão aos seus radicais.


