Neste domingo, 24 de agosto, o Brasil perdeu um dos maiores ícones da resistência cultural e da liberdade de expressão: Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o eterno Jaguar, aos 93 anos. Internado no hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro, ele partiu deixando um legado que transcende o humor gráfico — deixou uma trincheira de papel contra a ditadura militar.
✊ Um cartunista que não desenhava para agradar — desenhava para despertar
Jaguar foi mais que um artista. Foi um combatente da liberdade, que empunhou o lápis como arma contra a censura, a opressão e o autoritarismo. Em 1969, ao fundar o lendário jornal O Pasquim, ao lado de Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Millôr Fernandes, Ziraldo, Henfil e tantos outros gigantes, Jaguar inaugurou uma era de irreverência e coragem na imprensa brasileira. O Pasquim não apenas criticava o regime — ridicularizava-o com inteligência e ousadia, desafiando os limites impostos pela censura.
Seu traço ácido e sua ironia afiada foram capazes de desestabilizar generais, provocar debates e manter viva a chama da contestação em tempos sombrios. Jaguar foi preso, censurado, perseguido — mas nunca silenciado. E permaneceu no Pasquim até sua última edição, em 1991, como guardião da resistência e da coerência.
📚 Uma trajetória marcada por genialidade e irreverência
Antes e depois do Pasquim, Jaguar colaborou com revistas e jornais que marcaram época: Senhor, Civilização Brasileira, Pif-Paf, Tribuna da Imprensa, Última Hora. Seu primeiro livro, Átila, você é bárbaro, lançado em 1968, já mostrava sua capacidade de usar o humor para combater o preconceito, a ignorância e a violência.
Trabalhou com os maiores nomes da cultura brasileira e foi reconhecido como um dos mais brilhantes cartunistas do país, com um estilo único, começando os desenhos pelos pés e subindo até a cabeça — como quem construía personagens de baixo para cima, com base firme e olhar elevado.
🕊️ Um legado que não se apaga
Jaguar não foi apenas um artista — foi um símbolo da resistência democrática, um cronista gráfico da história brasileira, um mestre que ensinou que o riso pode ser revolucionário. Seu legado vive em cada charge que incomoda, em cada cartum que provoca, em cada jornal que ousa dizer o que precisa ser dito.
Hoje, o Brasil se despede de um gênio. Mas a luta que ele travou com tinta e papel permanece viva. Porque enquanto houver injustiça, haverá quem desenhe contra ela — e Jaguar será sempre a referência.
🖤 Obrigado, Jaguar. Seu traço é eterno. Sua coragem, inesquecível. Sua história, patrimônio da liberdade.


