Argentina deve acabar imediatamente agressões contra Lula, diz Mauro Vieira – Opera Mundi

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O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou que o governo de Javier Milei precisa interromper imediatamente as críticas e os ataques dirigidos ao Brasil. Segundo o chanceler, somente a partir disso as relações entre os dois países poderão voltar à normalidade.

A declaração foi dada em uma entrevista exclusiva, publicada neste domingo (09/08) pelo jornal argentino Clarín. A conversa ocorreu por telefone, durante a passagem do chanceler por Cali, na Colômbia, onde representou o presidente Lula na posse do ultradireitista Abelardo de la Espriella.

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Vieira, que já foi embaixador em Buenos Aires, classificou como graves as declarações de Milei contra Lula, autoridades e instituições brasileiras.  A relação bilateral entre os dois países chegou a um nível de deterioração que atualmente é administrada por encarregados de negócios, após a retirada dos embaixadores dos dois países.

“O mais importante é destacar que a relação entre Argentina e Brasil é muito importante e superior a quem esteja no poder em determinado momento”, afirmou o chanceler.

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Ele lembrou que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e destacou a existência de mecanismos construídos ao longo de décadas, incluindo acordos de cooperação e instrumentos de transparência na área nuclear.

Mauro Vieira, que foi embaixador na Argentina por seis anos, afirmou que Brasil só vai recuar no rebaixamento de relações entre os países a partir de gesto de apaziguamento do governo Milei
Senado Federal

Ao ser questionado sobre o que Buenos Aires deveria fazer para reduzir a tensão, Vieira defendeu uma mudança imediata de postura do governo argentino.

“A Argentina precisa valorizar a relação com o Brasil da mesma forma que o Brasil valoriza a relação com a Argentina”, disse. Para o chanceler, é necessário “parar imediatamente com esse tipo de agressão” para que os dois governos possam retomar o diálogo e reconstruir o vínculo bilateral.

Vieira também afirmou que o retorno dos embaixadores depende da mudança desse cenário. Questionado sobre quando o representante brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, voltaria ao posto, respondeu que isso ocorrerá quando deixarem de existir as condições que provocaram sua saída.

“É preciso um gesto: o de parar as agressões. É um gesto simples diante da importância das relações bilaterais”, afirmou.

O chanceler rejeitou ainda acusações de Milei de que o governo brasileiro teria financiado uma campanha internacional contra a Argentina. Vieira classificou a alegação como “totalmente falsa”.

Pressão dos EUA

Na entrevista, Vieira também criticou a postura do governo dos Estados Unidos em relação ao Brasil. Questionado sobre a deterioração recente do relacionamento entre Brasília e Washington, o ministro afirmou que a suspensão do visto da embaixadora brasileira nos EUA fazia parte de uma estratégia de pressão relacionada às eleições brasileiras.

Na quarta-feira (05/08), o presidente Lula classificou como “irresponsável” a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Segundo Vieira, Washington permaneceu por mais de um ano e meio sem indicar um embaixador para o Brasil e, depois de encaminhar um nome ao Senado americano, realizou uma consulta pública ao governo brasileiro sobre a aprovação do indicado. Para o chanceler, a forma como o procedimento foi conduzido violou regras diplomáticas previstas na Convenção de Viena.

Vieira também afirmou que a pressão americana sobre o Brasil começou com tentativas de interferir no processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, as ações de Washington incluíram sanções e cobranças para que o governo brasileiro interrompesse o processo contra o ex-presidente, algo que, de acordo com o chanceler, não poderia ser atendido devido à independência entre os Poderes no país.

Sobre uma eventual coordenação entre o governo de Milei e Washington nos ataques a Lula e ao Supremo Tribunal Federal, Vieira afirmou não saber se existe uma articulação. Ele disse, porém, que a relação entre Brasília e Buenos Aires foi profundamente afetada pelas declarações do presidente argentino contra o Brasil e suas instituições.

Sanções são ruins para todos

O ministro criticou ainda o uso de sanções comerciais como instrumento de pressão. Para ele, negociações e acordos são mais eficazes para solucionar divergências entre países.

“Eu entendo que a política de pressões e sanções não é útil; o que funciona é a negociação”, afirmou. Vieira acrescentou que o governo Lula está disposto a dialogar com diferentes países independentemente de suas posições políticas e que ações punitivas não necessariamente fortalecem uma negociação.

Ao comentar os efeitos das tarifas norte-americanas, o chanceler afirmou que todos os países da região enfrentam dificuldades provocadas pelas medidas comerciais de Washington, incluindo Brasil e Argentina.



Fonte: Opera Mundi

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