‘Indícios de proximidade de Renan Santos com PT é tático e busca romper hegemonia bolsonarista’, diz cientista político

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Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8), sobre o segundo turno das eleições presidenciais, mostra vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o Datafolha, Flávio tem 49% e Lula 45%.

Para o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), o que as pesquisas apontam não é apenas a transferência de votos dos outros candidatos para Flávio, como o poder de influência na extrema direita nas plataformas sociais. “É um ativismo explícito dos bolsonaristas nas redes sociais”, afirma em participação no Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) declararam apoio a Flávio no segundo turno, enquanto Renan Santos (Missão) optou pela neutralidade, embora tenha aberto um tipo de diálogo, pelas redes sociais, com o campo progressista.

“Renan tem dado indícios de maior proximidade com Lula, não por adoração à figura de Lula ou do PT, mas é um apoio tático, já que o bolsonarismo representa hegemonia no Congresso e ofusca o papel da direita e do MBL com o partido Missão”, afirma.

Ramirez considera “alarmante” o dado que mostra que a campanha do PT gastou mais recursos com material impresso do que nas redes sociais. “No mundo em que vivemos hoje, a maioria das pessoas se informa através do digital”, defende.

Segundo o professor, ao olhar para os governos estaduais e a formação do Congresso, “temos um cenário de terra arrasada para as esquerdas e movimentos progressistas”. Ele aposta em uma campanha de trincheira, boca a boca, pessoa para pessoa. “Não pode ser um momento de frustração absoluta, mas de reorganização. Cada crise da esquerda sempre produziu novas formas e oportunidades de repensar as nossas lutas”, avalia.

Ramirez considera que uma derrota de Lula não representa apenas “o final de um ciclo do político mais importante brasileiro dessa passagem do século 20 para o 21, mas o fim de um período democrático de 1985 até 2026, já que tudo indica que, caso Flávio vença, haverá mudanças drásticas na Constituição brasileira”.

A tendência, segundo Ramirez, ao olhar declarações de Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano, é que a gente “entre em um evangelistão”. “A tendência é o sucateamento de instituições e programas sociais. É o momento de convencer o que resta de sobriedade na sociedade civil desses riscos que existem numa eleição de Flávio Bolsonaro. É o momento de montar uma frente ampla a favor da democracia”, aponta.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





Fonte: Brasil de Fato

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