Teerã declinou mecanismo que previa dividir igualmente gestão de tráfego na via navegável por ‘não abordar preocupações de segurança iraniana’
O governo do Irã informou nesta quarta-feira (29/07) ter rejeitado a proposta de Omã referente à administração do Estreito de Ormuz, que sugeria dividir igualmente as rotas de trânsito entre os dois países. De acordo com o vice-ministro das Relações Exteriores do iraniano Kazem Gharibabadi, em entrevista à TV estatal, Teerã propôs, em vez disso, um sistema temporário em que a rota de entrada deverá estar inteiramente sob controle iraniano, enquanto Mascate administraria “parte da faixa de saída” oposta.
“Nossa proposta é que uma rota fique inteiramente dentro das águas territoriais da República Islâmica, ou seja, para que o Irã possa exercer supervisão efetivamente tanto sobre o tráfego de entrada quanto de saída”, disse ele.
Ainda de acordo com Gharibabadi, Teerã não avançará na próxima etapa das negociações com Washington a menos que Omã aceite a contraproposta de conceder a maior parte do estreito, uma vez que entende que o plano omanense “não aborda as preocupações de segurança do Irã”. Acrescentou também que, em caso de rejeição, o estreito também permaneceria fechado.
A autoridade iraniana destacou que Teerã não reconhece mais o Esquema de Separação de Tráfego, a rota intermediária internacionalmente adotada que não está apta à navegação desde fevereiro devido à instalação de minas. “Isso é por segurança nacional e não intimidação”, ressaltou ele, alertando que o Irã não permitiria que nenhum terceiro país retirasse as minas o estreito, mesmo a convite de Omã.
O governo do Irã rejeitou a proposta de Omã referente à administração do Estreito de Ormuz, que sugeria dividir igualmente as rotas de trânsito entre os dois países
Tasnim
Omã apresentou ao Irã na terça-feira (28/07) uma proposta para criar um mecanismo regional conjunto de gestão do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde se transporta quase um quinto de todo o petróleo do mundo.
Segundo a proposta omanense, o Irã deixaria de exercer controle exclusivo sobre a passagem marítima, que seria gerida coletivamente pelos países da região. O projeto previa também um sistema de financiamento por contribuições voluntárias pagas por empresas que utilizam a rota.
As discussões no mesmo dia contaram com a participação dos principais diplomatas do Irã, Arábia Saudita e Omã, durante as quais enfatizaram o avanço dos esforços diplomáticos conjuntos para estabelecer estabilidade na região. De acordo com a agência Tasnim, as autoridades revisaram os mais recentes desenvolvimentos bilaterais e no Oriente Médio, enfatizando a necessidade de fortalecer a cooperação e eliminar a insegurança imposta ao Estreito de Ormuz devido às agressões dos Estados Unidos;
(*) Com Tasnim



