Um documento elaborado pela Fiocruz apresenta sete compromissos que o futuro presidente do Brasil deveria assumir na área da saúde. A carta foi fruto de um debate interno da instituição e segue a tradição, a exemplo de quatro anos atrás, de levar propostas na direção de valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) e promoção da saúde para toda a população para os candidatos à presidência.
Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Rômulo Paes de Souza, coordenador do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz, destaca que um dos principais desafios da área é o financiamento do SUS. Atualmente, o investimento na área da saúde chega a 9,2%, contudo, observa Souza, apenas cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) vão para a saúde pública. “Nós defendemos que seja 7%. Há uma recomendação da Organização Pan-Americana de Saúde de que seja 6%. E nós entendemos que, pelo tamanho do Brasil, pela desigualdade que nós vivenciamos no Brasil, tanto em relação às condições de vida da população, mas também em relação às condições de implementação de políticas públicas nos municípios brasileiros, é importante que nós tenhamos um investimento muito maior”, explica.
Outro ponto destacado por Rômulo Paes de Souza é o combate à desigualdade. Ele avalia que o acesso à saúde de qualidade ainda é muito diverso no Brasil. “Há pessoas que sofrem para conseguir um atendimento de qualidade, precisam percorrer longas distâncias até encontrar uma atenção hospitalar adequada ao seu problema”, afirma.
Souza também fala sobre a empregabilidade na área da saúde e conta que o SUS é um dos maiores empregadores do mundo, com 2,4 milhões de profissionais. A título de comparação, o especialista destaca que o Walmart, maior rede varejista do mundo, emprega 2,1 milhões. “A saúde, a educação e a segurança são os maiores empregadores do serviço público brasileiro. E nós temos um número muito grande de trabalhadores na saúde que são precarizados, ou seja, são trabalhadores onde o tipo de contrato de trabalho, vinculado com prefeitura, por exemplo, é muito frágil. Nós precisamos valorizar os contratos de trabalho, valorizar as relações que esses trabalhadores têm com os seus empregos”, defende. A segunda prioridade com relação aos recursos humanos é a capacitação constante e qualificação.
Para Souza, muito além de falar sobre políticas para a área específica da saúde, a Fiocruz frisa a importância do compromisso com a democracia e como isso se relaciona com a construção do SUS. “Nós não apenas precisamos prestar serviços de saúde, nós precisamos prestar de forma universal, de forma integral, e nós precisamos enfrentar as desigualdades. Se os candidatos não tiverem compromisso com esta continuidade, nós teremos um SUS enfraquecido, desfinanciado e que cada vez mais perde espaço para o setor privado, um SUS que não responde àquilo que estava previsto na nossa Constituição de 1988 e nem à expectativa que a população tem deste excepcional e maravilhoso sistema de saúde, que é um exemplo do Brasil para o mundo.”
Para ouvir e assistir
Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h25 às 8h25 da manhã, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM, na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
Fonte: Brasil de Fato


