O Sindicato Nacional dos Médicos (Sinamed) do Paraguai chega nesta quinta-feira (27) ao quarto dia de greve geral em todas as unidades de saúde e centros hospitalares do Ministério da Saúde Pública e Previdência Social, mantendo apenas o atendimento operacional nos serviços de emergência e urgência.
A classe médica exige a restauração do poder de compra e um reajuste salarial que vem sendo adiado há 14 anos, desde a última atualização realizada durante o governo do ex-presidente Fernando Lugo, em 2012, além de denunciar a grave falta de insumos básicos e medicamentos essenciais que afeta a rede nacional de saúde.
Os líderes sindicais classificaram como uma zombaria as propostas apresentadas pela Ministra da Economia e pela Ministra da Saúde, María Teresa Barán, que propuseram uma mesa de diálogo sobre a carreira na saúde sem comprometer dotações orçamentárias imediatas.
Diante da recusa oficial em realocar recursos, incluindo propostas sindicais para cortar o seguro saúde privado de altos funcionários ou reduzir os gastos com serviços terceirizados, os profissionais de saúde reafirmaram a continuidade da greve com o apoio da equipe de enfermagem e das organizações de pacientes.
Diante da falta de progresso nas negociações diretas com o Poder Executivo, chefiado pelo presidente Santiago Peña, a Câmara dos Deputados abriu um processo de mediação com o intuito de avaliar adendos na discussão do Orçamento Geral da Nação.
No entanto, representantes da área médica alertaram que a falta de respostas concretas mantém aberta a possibilidade de prorrogação indefinida da paralisação em todo o território nacional.
Como parte do plano para dar visibilidade à crise na área da saúde, a Sinamed anunciou a transferência das manifestações para o departamento de Itapúa, coincidindo com o desenvolvimento do Campeonato Mundial de Rali de 2026.
Brigadas de saúde planejam realizar ações de protesto durante os dias do evento esportivo internacional, no qual se espera a presença das mais altas autoridades do governo central, a fim de denunciar publicamente a deterioração do sistema público de saúde.
Durante os dias de protesto, o sindicato apresentou quatro reivindicações principais: reajuste salarial, pagamento em dobro dos feriados, redução da carga horária dos funcionários terceirizados e garantia de suprimentos e infraestrutura adequada nos centros de saúde.
Fonte: Brasil de Fato


