O presidente chinês Xi Jinping homenageou Jiang Zemin nesta segunda-feira (17), centenário de seu nascimento. Em discurso no Grande Salão do Povo, Xi afirmou que Jiang Zemin criou “um novo cenário de reforma e abertura abrangentes, alcançando uma sociedade moderadamente próspera para o povo e impulsionando com sucesso o socialismo com características chinesas para o século XXI”.
Xi elogiou a resistência do dirigente à crise financeira asiática de 1997 e o modelo de abertura comercial que manteve a propriedade pública como base do sistema econômico.
O mandatário chinês definiu o líder como um “grande marxista, um grande revolucionário proletário, estadista, estrategista militar e diplomata, um combatente comunista de longa data, um líder excepcional da grande causa do socialismo com características chinesas”.
Xi destacou ainda que Jiang liderou o retorno de Hong Kong, em 1997, e de Macau, em 1999, à China. Também destacou seu papel na implementação do “Consenso de 1992” entre a ilha de Taiwan e a China continental, o que consolidou o princípio de Uma Só China entre ambas as partes.
Durante o discurso, Xi aproveitou para falar sobre desafios e objetivos atuais da China: “Nesta nova jornada, devemos aderir à combinação dos princípios básicos do marxismo com as realidades específicas da China e com a sua rica cultura tradicional, respondendo cientificamente às questões colocadas pela China, pelo mundo, pelo povo e pela época, abrindo constantemente novos horizontes para a sinização e a modernização do marxismo e mantendo sempre a sua vigorosa vitalidade e dinamismo”.
Crise de 1997 e acesso ao mercado global
Quando a crise financeira asiática eclodiu em 1997, Tailândia, Indonésia e Coreia do Sul recorreram ao Fundo Monetário Internacional (FMI) sob condições de corte severo de serviços públicos e desvalorização cambial forçada. A China manteve a paridade do yuan e não seguiu o receituário. Xi creditou a Jiang a “resistência bem-sucedida ao impacto da crise financeira asiática”.
O ingresso na Organização Mundial do Comércio (OMC), concluído em dezembro de 2001 após 15 anos de negociações, abriu mercados externos em escala massiva para a indústria chinesa. “Insistiu na combinação de ‘atrair para dentro’ e ‘sair para fora’, usando a abertura para promover a reforma e o desenvolvimento, e nos conduziu ao ingresso bem-sucedido na OMC, formando um novo padrão de abertura ao exterior”, afirmou Xi.
As “Três Representações” e a renovação do Partido
Xi descreveu Jiang como o criador das “Três Representações“, doutrina que definiu o Partido Comunista da China (PCCh) como representante das forças produtivas avançadas, da cultura avançada e dos interesses fundamentais da maioria da população. A formulação respondeu, disse o presidente chinês, à pergunta sobre “que tipo de partido construir e como construí-lo”, aprofundando a compreensão do socialismo com características chinesas.
Jiang Zemin nasceu em 17 de agosto de 1926, em Yangzhou, na província de Jiangsu (no leste da China), em uma família de intelectuais. Entrou no Partido em abril de 1946. Como secretário do PCCh em Xangai entre 1987 e 1989, impulsionou o planejamento do desenvolvimento de Pudong, que nas décadas seguintes se tornaria um dos principais centros financeiros do mundo. Em junho de 1989, foi eleito secretário-geral do Comitê Central do PCCh. Em 1993, assumiu também a presidência da República Popular da China, cargos que exerceu por 13 e 10 anos, respectivamente, até afastar-se voluntariamente da liderança central no 16º Congresso Nacional, em 2002. Morreu em novembro de 2022, aos 96 anos.
Xi disse que Jiang Zemin foi “firme em seus ideais comunistas, infinitamente leal ao Partido e ao povo, e incansavelmente dedicado à causa do Partido e do povo”. E citou uma frase dele: “Nossas crenças políticas fundamentais como comunistas são o socialismo e o comunismo, e nossa visão de mundo é o materialismo dialético marxista e o materialismo histórico. Isso jamais deve ser abalado, nem mesmo minimamente”.
Fonte: Brasil de Fato


