Marco Aurélio Zaparolli
CEO do Grupo Portal de Noticias
O papel do Brasil na evolução do bloco dos BRICS transitou de um membro fundador voltado prioritariamente para a cooperação econômica bilateral para um articulador estratégico do Sul Global no sistema internacional. A atuação brasileira na expansão e consolidação do agrupamento baseia-se em pilares institucionais, econômicos e diplomáticos bem definidos:
Reforma da Governança Global e Multilateralismo: O Brasil utiliza a plataforma dos BRICS para pressionar pela modernização de organismos multilaterais — como o Conselho de Segurança da ONU, o FMI e o Banco Mundial —, buscando ampliar a representatividade e a voz das economias emergentes nas tomadas de decisão globais.
Fortalecimento do NBD (Novo Banco de Desenvolvimento): A gestão brasileira impulsionou a atuação do NBD como alternativa sólida ao financiamento tradicional de infraestrutura e desenvolvimento sustentável, promovendo o uso de moedas locais nas transações comerciais interbloco para reduzir a vulnerabilidade às oscilações do dólar.
Pragmatismo na Expansão do Bloco (BRICS+): Na integração de novos membros plenos e parceiros institucionais, o diplomacia brasileira atuou como força moderadora, defendendo critérios claros de adesão para garantir a coesão interna, a heterogeneidade geográfica e a preservação do princípio de não alinhamento automático a blocos de poder.
Liderança na Agenda Ambiental e Transição Energética: O país posicionou a transição ecológica, a preservação da biodiversidade e a decarbonização como eixos centrais de cooperação técnica dentro do bloco, conectando a matriz energética renovável brasileira aos investimentos de capital e tecnologia dos países parceiros.
A capacidade brasileira de manter pontes de diálogo fluidas com o Ocidente e, simultaneamente, liderar pautas de autonomia no Sul Global consolida o país como um nó diplomático indispensável para a estabilidade e a relevância geopolítica do BRICS no século XXI.


